
A ausência mais sonante continua a ser a de Itália. Os tetracampeões mundiais vão falhar o terceiro Mundial consecutivo, depois da última presença em 2014, no Brasil. Trata-se de uma das maiores crises da história da "Squadra Azzurra", sobretudo se pensarmos que há apenas duas décadas estava no topo do mundo.

Ainda mais longa é a espera para Eslováquia e Eslovénia, que vão completar quatro Mundiais seguidos de fora desde a última presença, em 2010, na África do Sul. Grécia e Chile chegam às três ausências consecutivas, depois de terem jogado pela última vez em 2014, no Brasil.
Os grandes ausentes
Itália: gigantes do futebol mundial em declínio
Poucas ausências causam tanto impacto como a de Itália. A "Squadra Azzurra" continua a ser uma das seleções mais bem-sucedidas de sempre, com quatro Campeonatos do Mundo (1934, 1938, 1982, 2006) no palmarés.
O último título chegou em Berlim, em 2006, frente à França, numa final que ficou na história tanto pela vitória italiana como pela expulsão de Zinédine Zidane, após a famosa cabeçada a Marco Materazzi.
Desde então, o declínio é impressionante: ausência dos Mundiais de 2018, 2022 e 2026, com cada eliminação da fase final a doer mais do que a anterior.

Roménia: a magia de Hagi e o vazio desde 1998
A "geração de ouro" da Roménia atingiu o auge no Mundial de 1994, nos Estados Unidos. Liderados por Gheorghe Hagi, o "Maradona dos Cárpatos", os romenos chegaram aos quartos de final a praticar um futebol entusiasmante. Foi, na prática, o canto do cisne dessa equipa, que voltou a qualificar-se em 1998, em França, onde caiu nos oitavos de final. Desde então, falhou as sete edições seguintes, embora nos últimos anos tenha regressado aos Campeonatos da Europa e dê sinais de poder voltar também a um Mundial.
País de Gales: de Pelé a Gareth Bale
O País de Gales teve de esperar 64 anos para voltar a uma fase final de um Mundial, o maior intervalo de ausência alguma vez registado por uma seleção europeia, que terminou com a qualificação em 2022. O ponto alto continua a ser 1958, quando chegou aos quartos de final e foi eliminado pelo Brasil graças a um golo de um Pelé de apenas 17 anos.

O regresso de 2022, com Gareth Bale como figura maior, fechou um ciclo histórico de espera. Ainda assim, a eliminação deste ano, frente à Bósnia-Herzegovina e da forma como aconteceu, doeu aos galeses, que vão ver a fase final pela televisão.
Coreia do Norte: o milagre de 1966 e o regresso de 2010
A Coreia do Norte protagonizou uma das maiores surpresas da história dos Mundiais ao vencer Itália em 1966 e chegar aos quartos de final. Esse feito transformou a seleção num símbolo global dos "outsiders".

Foram precisos 44 anos até à participação seguinte, em 2010, no Mundial da África do Sul, onde foi eliminada na fase de grupos, sem pontos e com um saldo de golos de 1-12. Desde então, nunca mais voltou a qualificar-se para uma fase final.
Canadá: nasce uma nova potência do futebol?
O Canadá estreou-se num Mundial em 1986, sem marcar qualquer golo (0-5 em golos). O regresso em 2022, 36 anos depois, assinalou a ascensão de uma nova geração liderada por Alphonso Davies. Ainda assim, voltou a sair sem pontos, embora desta vez tenha marcado dois golos.

Agora coorganiza o Campeonato do Mundo e, no grupo com Bósnia, Qatar e Suíça, tem sérias esperanças de garantir a qualificação para a fase seguinte, o que representaria a maior conquista da história da seleção.
Irlanda: a epopeia de Itália '90
O ponto alto da Irlanda chegou no Mundial de 1990, quando a equipa de Jack Charlton atingiu os quartos de final logo na primeira participação, desencadeando um delírio de entusiasmo e um verdadeiro festejo nacional no país. Os irlandeses voltaram em 1994 e 2002, mas desde então têm estado ausentes e, até hoje, a campanha em Itália continua a ser o maior feito.

Este ano ficaram de fora ao perderem nos penáltis com a Chéquia, na meia-final do play-off de qualificação europeu (depois de estarem a ganhar 2-1 até aos 86 minutos). A Chéquia acabaria por garantir o apuramento para o Mundial ao eliminar a Dinamarca, também nos penáltis.
As seleções de que quase já nos esquecemos que jogaram um Mundial
Cuba: os esquecidos quartos de final de 1938
Poucos se lembram de que Cuba chegou aos quartos de final do Mundial de 1938, um feito que continua a ser o melhor de sempre para a região das Caraíbas. Os cubanos bateram a Roménia após um segundo jogo na fase final de França, já que o primeiro encontro terminou 3-3 e na altura não havia penáltis. No reencontro, Cuba venceu por 2-1 e, nos quartos de final, defrontou a poderosíssima Suécia, saindo goleada por 8-0. Cuba nunca mais voltou a uma fase final de um Mundial.
Indonésia: os primeiros asiáticos da história
A Indonésia, então ainda como Índias Orientais Neerlandesas, tornou-se a primeira equipa asiática a disputar um Mundial, também em 1938, tal como Cuba. A campanha durou apenas um jogo, mas o peso histórico da participação é enorme. A equipa foi sorteada para defrontar a Holanda nos oitavos de final e perdeu por 6-0, mas os livros da história do futebol ficaram escritos a letras douradas.

Israel: uma única presença, há 56 anos
Israel participou apenas uma vez num Mundial, em 1970, no México. O empate na fase de grupos frente à Suécia (1-1) continua a ser um dos momentos mais marcantes do país no futebol. No conjunto, a prestação foi digna: segurou um 0-0 frente à poderosa Itália e perdeu por 2-0 com o Uruguai no jogo de estreia.

Jamaica: os «Reggae Boyz»
China: um sonho que continua à espera de continuidade
A China qualificou-se pela primeira vez em 2002, no Mundial disputado na Ásia, mas foi eliminada com três derrotas e sem marcar qualquer golo (0-9 em golos). Desde então nunca mais conseguiu aproximar-se de uma fase final e continua a viver com o que parece ser um sonho quase inatingível: voltar um dia a participar num Mundial.
Os grandes regressos
Ao mesmo tempo, várias seleções regressam em força ao palco principal. Japão, Arábia Saudita e Argélia garantiram novamente a qualificação e continuam a ser presenças regulares da Ásia e de África, respetivamente.
Chamam ainda a atenção os regressos de seleções europeias com muita história. A Turquia volta a uma fase final pela primeira vez desde 2002, quando terminou em terceiro lugar no Mundial da Coreia e do Japão. A Noruega regressa após décadas de ausência, agora com uma nova geração de estrelas liderada por Erling Haaland.

Escócia, Áustria, Chéquia e Paraguai regressam também à competição, devolvendo cor e profundidade histórica ao torneio.
O Mundial de 2026 promete, assim, ser uma mistura de regressos, desilusões e novas esperanças. Para alguns países, a ausência será apenas um parêntesis temporário. Para outros, cada Campeonato do Mundo falhado pesa cada vez mais na história futebolística do país.
A Semana com Euronews






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