Desde 19 de Março o arquipélago de Cabo Verde está fechado a voos internacionais – permitindo apenas voos de repatriamento – como medida para travar o alastramento da pandemia de Covid-19. Por causa disso, várias dezenas de cabo-verdianos, com vistos de imigrante sentem-se lesados porque alguns estão na eminência de serem impedidos de entrar nos EUA, porque o período da validade dos vistos de entrada já estão expirados e outros prestes a expirar-se, exigindo assim, que autoridades nacionais criem alguma saída para que não percam esta oportunidade de estarem juntos de seus familiares.
São mais de oito dezenas de cabo-verdianos, com vistos de imigrante para os EUA, que se mostram revoltados por causa do cancelamento de voos para aquele País desde os meados de Março passado devido à pandemia do novo coronavírus. É que, conforme dizem, estão na eminência, não só de perder os bilhetes de passagens, como também, a possibilidade de entrar nos EUA para integrarem seus familiares, sem contar com enormes prejuízos investidos para o sustento e encargos familiares na Cidade da Praia, sobretudo aqueles que vieram de outras ilhas e que se desligaram dos serviços onde trabalhavam, nomeadamente, Fogo e Brava.
Esta quarta-feira, 01um grupo de cidadãos cabo-verdianos, que pretendem viajar para os EUA como imigrantes, procuraram o Asemanaonline para manifestar a sua indignação e revolta em relação ao cancelamento de voos internacionais. Para muitos, esta medida do Governo é vista como um “desrespeito e desigualdade” para com os nacionais que estão retidos no país, e que pretendem viajar para os EUA, antes data de expiração de vistos.
Eliane Lopes e suas duas filhas menores, que residem no Bairro de Palmarejo, Cidade da Praia, mostra-se desgastadas porque, segundo dizem, estão com vistos de imigrante desde o passado 21 de Fevereiro, com a validade até o próximo dia 17 de Julho. “Estamos estupefatas porque a nossa primeira viagem estava programada para o dia 20 de Março. Entretanto, com o surgimento do Covid-19, o Governo suspendeu todas as ligações internacionais a 19 de Março, e desde então, apenas permite voos pontuais de repatriamento de cidadãos, de modo que fomos obrigados a alterar a viagem para esta sexta-feira, 03, o que segundo as agências de viagens, não poderemos viajar, enquanto não forem retomadas os voos. Aliás, se o Governo foi capaz de autorizar voos de repatriamento de cidadãos que se encontravam no exterior, porque não consegue fazer o mesmo com todos nós, que estamos retidos e com pretensão de fixar residência nos EUA, junto dos nossos familiares?”, questiona Iliane.
Eliane e dezenas de outros passageiros, dizem que vivem momentos de incerteza, uma vez que que ainda, a Embaixada dos EUA em Cabo Verde não lhes deu nenhuma garantia de prorrogação de vistos que já estão expirados ou que venham a expirar-se daqui a alguns dias. “Mas mais: o meu marido, que reside nos EUA desde o ano de 2016, vê a vida familiar, totalmente desfeita, porque já teve prejuízos incalculáveis na compra de apartamento, mobiliário e outras despesas adicionais para nos acolher (pagamento de vistos e bilhetes de passagens para as três)”, lamenta.
Outra inconformada é Maria Eugénia Silva, residente em Achada Mato, Cidade da Praia, que também tinha a intensão de viajar com as três filhas para os EUA, no passado dia 13 de Junho. Esta revela ao asemanaonline que já está com um prejuízo no país de cerca de 300 contos, desde que conseguiu os vistos de imigrante a 17 de Março passado, mas com a pandemia do Covid-19, todas as saídas para fora do País foram canceladas. “Os nossos vistos expiram na primeira semana de Agosto (05 e 10 de Agosto). Meu pai faleceu EUA há um mês, minha mãe, que se encontra adoentada, está sozinha, de modo que quero viajar a tempo, para lhe dar as assistências necessárias. Durante este período de pandemia já tive um prejuízo de cerca de 300 contos, em bilhetes de passagens, alimentação, renda de casa, entre outros”, desabafa.
Mesma preocupação tem Maria José Barros, residente em São Filipe, Fogo, que pretende viajar para os EUA acompanhada do marido e da filha menor. “Tomámos os vistos de imigrante desde o dia 09 de Janeiro passado, já programámos as viagens para os EUA três vezes consecutivas, designadamente, 23 de Março, 28 de Março e agora, para esta sexta-feira, 03, mas certamente não vamos conseguir viajar, porque até este momento, ninguém nos disse nada e os nossos vistos perdem a validade a 06 deste mês.
Perante este cenário e momentos de ansiedade, as dezenas de passageiros, que estão impedidos de viajar para os EUA, antes da expiração de vistos, exigem que o executivo de Ulisses Correia e Silva, em consertação com a Embaixada dos EUA na Cidade da Praia, criem alguma alternativa, para que possam viajar a tempo e, se na medida do possível, facultar a prorrogação de vistos, em caso de sua expiração.

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