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Maria Ernestina, a mulher que viu nos pastéis o sustento para família

São Domingos, que é conhecido por ter sido a terra que viu nascer N” toni Denti D” oro, rei do batuco, é uma localidade que fica situado a 15 minutos da cidade da Praia.

Falar de São Domingos é também falar do famoso “pastel de milho” que é sem dúvida um atractivo turístico desta localidade. A Semana foi à São Domingos conhecer de perto uma figura que também é muito conhecida, Maria Ernestina Andrade, carinhosamente chamada por Nilda, de 61 anos, que sem outro trabalho, encontrou na venda dos pastéis uma forma de garantir o sustento da família e faz isso há cerca de 33 anos.

Durante muitos anos, Maria fazia o famoso pastel de milho em casa, no seu quintal de terra abatida. A maioria das pessoas saíam de várias localidades até São Domingos apenas para deliciar deste petisco tradicional. Foram os vizinhos que a incentivaram a fazer os pastéis na rua, garantindo que um dia seria reconhecida por todos e que ganharia mais clientes.

Mãe de 7 filhos, começou a fazer pastel quando os filhos ainda estavam pequenos e vendia porta a porta. Para além de pastel essa mãe solteira também fazia outros petiscos tradicionais como Fidjós e cuscuz para vender. “De manhã fazia aqueles cuscuz nos bindes pequenos, saía de porta em porta e vendia para as pessoas tomarem café, em seguida fazia “fidjós” também para vender e a tarde fazia pastel”, salientou.

Nilda explica que o que a levou a fazer pastel, é o fato de não ter estudado e ter tido problemas financeiras quando começou a ter filhos. Os vizinhos tiveram conhecimento que estava a fazer pastéis e sempre que ia pessoas da cidade da Praia, compravam-lhe pastéis e assim começou a ganhar alguns clientes. As pessoas motivaram-lhe a sair na rua para fazer pastel, porque estando na via pública onde passam muitos carros, as pessoas teriam conhecimento do seu negócio e ganharia mais clientes. Mas, confessa que no início tinha muita vergonha de fazer o seu trabalho na rua, porque era muito nova e muitas pessoas vinham a sua profissão com desprezo, mas com o tempo conseguiu ganhar coragem e fazer os seus pastéis para vender às pessoas que passavam.

A vendedeira de pastel, diz ter investido na educação dos filhos garantindo os seus estudos com a venda de pastel. Hoje ela enche de orgulho quando fala das profissões dos filhos.

“O meu primeiro filho fez o 12ª e hoje tem uma oficina, o meu segundo filho é Polícia Judiciária. Tenho um filho que fazia parte do grupo de música “Rapaz 100 Juíz” que hoje está no estrangeiro, os outros todos estão empregados e tenho orgulho em dizer que tudo isso foi graças a venda de pastel, avançou.

Chegou um momento em que a dona Maria teve de colocar uma pausa na venda de pastel e trabalhar no hospital da Praia como servente no tempo da cólera, mas só que o vencimento não ajudava muito porque tinha dois filhos que estavam a estudar no momento, um estudava no liceu da Praia e o outro em Assomada e o dinheiro que recebia não dava para pagar as contas e muito menos pagar o transporte dos filhos. Fazia esforço para lhes pagar os transportes, mas confessa que não conseguia dar-lhes dinheiro para lancharem na escola. Diante desta situação, percebeu que o trabalho não estava a render-lhe muito, e voltou para ao negócio de vender pastel.

Com o passar do tempo e com o aumento dos clientes, Nilda ampliou o seu negócio e abriu um lanchonete onde vende um pouco de tudo. Ali pode-se encontrar moreia, fígado, refrigerante e entre outos. Mas o pastel não deixa de ser referência e é o preferido do público de todos os cantos da ilha de Santiago e não só.

Cada pastel custa 10 escudos, “um preço acessível para todos os bolsos”, garante. Ela explica que, o que torna o seu pastel especial, é o fato de colocar muita bata-doce que dá um gosto diferente e saboroso.

“O meu pastel vai na base de batata-doce e farinha de milho, fervo batata-doce e em seguida misturo com a farinha de milho. Coloco muita batata-doce no meu pastel para dar um gosto especial”, destacou.

A senhora que hoje encontra-se firme e forte, já teve graves problemas de saúde e teve de ir fazer tratamento em Portugal, mas depois de ter regressado voltou a fazer o que ela mais gosta, que é fazer pastéis. Como toda pessoa enquanto está viva tem um sonho, o maior sonho de dona Nilda é terminar de requalificar a sua casa antes de morrer. E ela aconselha a todos a nunca desistirem dos seus ideais e sonhos.

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