O Procurador-Geral da República (PGR) alertou hoje que Cabo Verde continua a ser uma importante rota do tráfico internacional de droga, afirmando que as apreensões representam apenas uma pequena parte da quantidade que transita pelo arquipélago.
Em Cabo Verde, referiu que as maiores operações realizadas nos últimos anos permitiram apreender carregamentos de cerca de 10 toneladas, cinco toneladas e uma tonelada e meia de droga, salientando, no entanto, que esses resultados representam apenas uma fração do volume movimentado pelas organizações criminosas.
As declarações foram feitas à imprensa no âmbito do Fórum Regional de Investigação sobre Tráfico Ilícito de Drogas e Infrações Conexas, que decorre de hoje a 22 de Julho, na cidade da Praia, reunindo cerca de 20 procuradores provenientes de 15 países africanos.
Segundo Luís José Landim a localização geoestratégica de Cabo Verde faz do país um ponto de passagem para as redes internacionais de tráfico de drogas, sublinhando que o que se consegue apreender é inferior ao que de facto transita.
“E nós temos essa informação de que há muito tráfico, e geralmente, o que se consegue apreender é incomensuravelmente inferior ao que, de facto, transita”, afirmou, apontando dados que indicam que só se consegue apreender, por ano, a nível global, 10% daquilo que se trafica.
Em Cabo Verde, referiu que as maiores operações realizadas nos últimos anos permitiram apreender carregamentos de cerca de 10 toneladas, cinco toneladas e uma tonelada e meia de droga, salientando, no entanto, que esses resultados representam apenas uma fração do volume movimentado pelas organizações criminosas.
O procurador-geral explicou que, apesar dos esforços desenvolvidos pelas autoridades nacionais, Cabo Verde enfrenta limitações significativas no controlo do seu espaço marítimo, devido à vasta Zona Económica Exclusiva e à insuficiente capacidade de vigilância das águas sob jurisdição nacional.
Entretanto, realçou que o país mantém acordos de monitorização marítima com os Estados Unidos, Brasil, Espanha, Portugal, França e Países Baixos, sublinhando que as grandes apreensões realizadas resultaram da cooperação e colaboração destes parceiros internacionais.
"Não temos capacidade para vigiar as nossas costas sem a cooperação de países amigos", reconheceu, considerando que esta cooperação tem sido determinante para reforçar a capacidade de resposta das autoridades cabo-verdianas perante um fenómeno que assume uma dimensão transnacional e exige uma ação coordenada entre os Estados.
Sobre o fórum, explicou que a iniciativa pretende criar uma plataforma de diálogo e partilha de experiências entre procuradores africanos para fortalecer a investigação criminal e a cooperação judiciária no combate ao tráfico de droga e ao crime organizado.
Acrescentou que Cabo Verde foi escolhido para acolher o encontro devido ao reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido pelas autoridades nacionais nesta área e pela determinação demonstrada no combate ao narcotráfico.
O evento está a ser promovido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (ONUDC), através da sua Direcção de Gestão de Fronteiras (Border Management Branch), no âmbito do projeto CRIMJUST e conta com representantes da Associação Africana de Procuradores (APA) e da Rede da África Ocidental de Autoridades Centrais e Procuradores contra o Crime Organizado (WACAP).
A Semana com Inforpress






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