Na sequência da reunião na terça-feira do seu comité de emergência, a OMS estimou que o surto tenha causado 139 mortes sobre 600 casos prováveis e referiu que o contágio poderá prolongar-se, muito embora o risco de uma pandemia seja considerado "baixo".
"A OMS avaliou o risco epidémico como sendo elevado a nível nacional e regional e baixo a nível mundial", declarou à imprensa em Genebra o director-geral da OMS, a organização confirmando que, nesta fase, a epidemia "não corresponde" aos critérios de uma emergência pandémica.
Por seu lado, a Comissão Europeia indicou que o risco de infecção na União Europeia é qualificado como "muito baixo" e que "não há indicações" de que os europeus tenham de tomar medidas específicas.
O surto que é o 17° que a RDC enfrenta no espaço de 50 anos concentra-se no no Ituri, no norte do país, a OMS indicando que até ao momento apenas foram confirmados taxativamente 51 casos, embora "se saiba que a dimensão da epidemia na RDC é muito maior".
Ao referir que foi identificado um caso suspeito no dia 24 de Abril, esta organização da ONU explica que só no dia 5 de Maio é que foi alertada para um surto mortal, um primeiro caso de Ébola tendo sido confirmado no dia 15, a emergência de saúde internacional acabando por ser decretada dois dias depois.
"Dada a magnitude do problema, pensamos que o surto começou provavelmente há alguns meses, mas as investigações estão em andamento", indicou ainda a OMS ao prever "que estes números continuem a aumentar, tendo em conta o tempo de circulação do vírus antes da detecção do surto".
A epidemia, entretanto, estendeu-se fora do Ituri. Na vizinha província do Kivu do Sul, área controlada pelo grupo armado M23, foi confirmado hoje um caso, sendo que esta semana, o Uganda deu conta de uma morte e de um caso, dois congoleses que chegaram recentemente ao país. As autoridades ugandesas esclareceram, no entanto, que não se registou nenhum contágio localmente.
Esta situação tem levado à implementação de precauções tanto a nível interno, como também no exterior. Para além de os Estados Unidos terem anunciado na segunda-feira o reforço dos controlos sanitários nas fronteiras para os passageiros aéreos provenientes das zonas afectadas, a equipa de futebol da RDC anunciou hoje a anulação do seu estágio de preparação para o mundial do mês que vem. Estes treinos que deviam decorrer em Kinshasa vão afinal realizar-se na Bélgica, devido à epidemia.
Refira-se ainda que desde a identificação do primeiro surto de ébola em 1976 precisamente naquela zona de África, esta doença provocou mais de 15 mil mortos no continente. A OMS esclarece que embora seja mortal, esta doença é considerada menos contagiosa do que a covid 19 ou o sarampo.
A Semana com RFI






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