Para a investigadora,os ecossistemas de água doce têm um papel relevante no ciclo global do carbono, inclusive os pequenos ribeiros de floresta em que a principal fonte de carbono reside nas folhas e detritos vegetais que caem sobre o leito e aí se decompõem. “Este processo de decomposição é conduzido pelos fungos aquáticos: ao libertarem substâncias para digerir as folhas também as tornam apetecíveis para consumidores invertebrados, e por sua vez estes servirão de alimento a predadores como ninfas de libélula e peixes, dinamizando as relações tróficas”, destaca.
O documento refere que a investigação, já publicada na revista Science of the Total Environment, envolveu 32 investigadores de 31 instituições distribuídas por 18 países, nomeadamente Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China (Hong Kong), Equador, Espanha, Estados Unidos da América, França, Guiné, Índia, Itália, Japão, Malásia, Noruega, Portugal - incluindo os Açores - e Nova Zelândia.
A partir da análise das comunidades de fungos de 19 rios, distribuídos pelos dois hemisférios, a equipa verificou que o número de espécies de fungos varia consoante a latitude, isto é, o número de espécies é maior nas regiões temperadas de média latitude, tais como Portugal e Espanha. “Este padrão de distribuição diverge do padrão global, pois enquanto o número de espécies de plantas e animais diminuem quando nos afastamos do equador, os fungos aquáticos diminuem perto do equador e dos pólos”, garante Seena Sahadevan.
A investigadora do MARE sublinha ainda que outro ponto relevante do estudo, foi verificar que a composição das comunidades de fungos difere claramente com a temperatura da água, tendo sido registados três grupos distintos independentemente do hemisfério onde se encontravam.
Celso Lobo
Reportar
Os meus comentários