segunda-feira, 15 junho 2026

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São Tomé e Príncipe e a resistência dos idosos cabo-verdianos que reflecte décadas de trabalho, solidão e resistência

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 Os sobreviventes das roças de cacau e café de São Tomé e Príncipe vivem entre as paisagens verdejantes da ilha, recebendo os visitantes com um silêncio profundo, que reflecte décadas de trabalho duro, saudade e resistência.

 

“Vim pensando que um dia voltaria. Mas nunca mais consegui. Hoje, mesmo que quisesse, já não tenho ninguém lá”, lembra ela, emocionada.As casas onde vivem os idosos mostram o desgaste do tempo, com paredes rachadas, telhados desgastados, móveis simples que guardam histórias de resistência.

 

A paisagem tropical, descreve a Inforpress, transmite beleza e tranquilidade, mas esconde também o peso da distância da terra natal e os desafios enfrentados por aqueles que permaneceram.

Poucos habitantes ainda resistem, e mulheres e homens idosos, espalhados por casas simples e desgastadas pelo tempo, mantêm vivas memórias de uma geração inteira que partiu de Cabo Verde em busca de oportunidades e nunca mais voltou.

Entre os residentes está Amélia Lopes, mais conhecida como Nha Maria Pereira.

Aos 87 anos, sua vida reflecte décadas de trabalho árduo nas roças, a perda de filhos e a solidão de quem vive longe da família.

Crescida em Santa Catarina, Santiago, com uma mãe doente, decidiu partir para São Tomé e Príncipe aos 19 anos, carregando esperança e sonhos que se misturaram à dura realidade do trabalho forçado e do isolamento.

“Vim pensando que um dia voltaria. Mas nunca mais consegui. Hoje, mesmo que quisesse, já não tenho ninguém lá”, lembra ela, emocionada.

Segundo a mesma fonte, as casas onde vivem os idosos mostram o desgaste do tempo, com paredes rachadas, telhados desgastados, móveis simples que guardam histórias de resistência.

Apesar das condições, os moradores permanecem ligados à terra que escolheram como lar, mantendo vínculos emocionais com Cabo Verde e com as famílias espalhadas pelo mundo.

A Inforpress localizou Nha Maria por meio da página “Djuda-m Buska Nha Família”, administrada por Isabel Semedo, residente em Paris.

Isabel lembra que ela, como muitos outros, vive praticamente esquecida, sem documentos e sem apoio, tornando-se um símbolo da luta silenciosa de uma geração inteira.

Mesmo com a saúde fragilizada, Nha Maria continua vivendo nesta ilha do Equador entre memórias e saudade, mantendo-se resistente.

“Tive 10 filhos, cinco deles foram dividir o céu com Deus”, lamentou, mostrando que a perda e a resistência caminharam lado a lado.

Em 2023, o Governo cabo-verdiano anunciou medidas para reforçar a cooperação com autoridades santomenses e associações da diáspora, visando identificar descendentes e apoiar os sobreviventes, muitos idosos, sem pensão e com saúde fragilizada.

Apesar disso, Nha Maria continua vivendo em São Tomé, entre memórias e saudade, mantendo um vínculo emocional com Cabo Verde.

“Eu gosto daqui. Mas Cabo Verde… Cabo Verde é a minha terra. Se eu pudesse, ainda voltaria para morrer lá”, confessa.

A história de Nha Maria Pereira representa, prossegue a Inforpress, não apenas sua própria trajectória, mas a de uma geração de cabo-verdianos que partiu em busca de oportunidades, mas ficou a meio caminho entre o sonho de uma vida melhor e o esquecimento.

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