segunda-feira, 15 junho 2026

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Líder Parlamentar do PAICV diz que crise energética nacional é o retrato de uma governação mal planeada do  Governo do MPD

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O Líder Parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, Oposição)disse hoje no debate parlamentar  sobre a crise energética que esta crise  não é um acidente, mas sim um retrato de uma governação mal planeada e que não impõe responsabilização. Clovis Silva acusou o Governo  do MpD de ter conhecimento há muito tempo da gravidade da situação da central de Palmarejo, no entanto nada fez para resolver a situação. “Sabia da falta de peças, sabia da dependência total de geradores a ficarem obsoletos, sabia do atraso na manutenção preventiva. Sabia, sabia e nada fez”, criticou, rematando, “ausência de planificação, ausência de manutenção preventiva e ausência de investimento — ou seja, má gestão pura e simplesmente”.

 

“Estamos aqui para discutir uma crise que afeta o coração da nossa vida coletiva: a energia, esse bem essencial que alimenta as escolas, os hospitais, as fábricas, as famílias e a própria esperança do povo cabo-verdiano. Sem energia, não há produção, não há saúde, não há educação, não há segurança e não há futuro nenhum”, declarou, sublinhando que até hoje os cidadãos vivem num estado de racionamento energético, com cortes atingindo bairros, zonas industriais e comunidades rurais.

 

Esta  declaração foi  feita esta quarta-feira, 29, pelo Líder Parlamentar do PAICV, na sua intervenção inicial no debate parlamentar sobre o tema: “Sustentabilidade Energética: Perspectivas e Desafios para a Reconstrução de um Cabo Verde para Todos”.

Silva iniciou o debate citando o presidente do PAICV, Francisco Carvalho, que falou ontem no encerramento das Jornadas Abertas: “Se não tivermos claro nas nossas cabeças e nos nossos corações a ideia de Estado que queremos, corremos o risco de nos perdermos pelo caminho. Porque tudo começa com o conceito de Estado que defendemos. E tudo parte de que Estado queremos implementar e, a partir daí, desenvolver os setores para beneficiar as pessoas. Porque ideias que defendemos não são nossas — são as ideias que os novos tempos precisam. E o mundo precisa desesperadamente da esquerda — e Cabo Verde não é exceção”.

Segundo o líder parlamentar do maior partido da oposição, o país precisa de um Estado que priorize a equidade, a sustentabilidade e a inclusão, não um que perpetue crises e que punem os mais vulneráveis.

“A desigualdade que Cabo Verde pretende combater não é apenas de renda, mas de acesso a bens essenciais como a energia. Esta desigualdade que o nosso país enfrenta é precisamente a de combater os custos exorbitantes que o atual modelo energético impõe aos cidadãos deste pequeno país”, disse.

“Estamos aqui para discutir uma crise que afeta o coração da nossa vida coletiva: a energia, esse bem essencial que alimenta as escolas, os hospitais, as fábricas, as famílias e a própria esperança do povo cabo-verdiano. Sem energia, não há produção, não há saúde, não há educação, não há segurança e não há futuro nenhum”, declarou, sublinhando que até hoje os cidadãos vivem num estado de racionamento energético, com cortes atingindo bairros, zonas industriais e comunidades rurais.

Recordou que em 2016, o Governo do PAICV entregou ao MpD uma ELECTRA com capacidade de produção de energia igual ao dobro da necessidade de consumo da população da ilha de Santiago. Apontou, no entanto, que  o Governo do MpD não fez qualquer investimento, recusando-se a seguir a indicação do estudo efetuado.

Relatou que a situação atingiu um ponto crítico em que, para dar resposta à necessidade de consumo, deixou de haver um grupo de geradores parados. “Quase todos tinham de trabalhar ao mesmo tempo e deixou de haver também manutenção preventiva. Logo, aumenta a possibilidade de avarias e, se um grupo sofre alguma avaria, há necessidade de corte imediato. A situação é de geradores mais antigos, mais sobrecarregados e sem manutenção preventiva que têm de ser remendados quando param de funcionar. E há já algum tempo que os grupos mais antigos começaram a dar sinais de desgaste.”, observou.

Clovis Silva apontou que passaram-se oito anos sem nenhum investimento. Sendo que, recordou, que em 2016 o Governo do PAICV fez um reforço de 44 megawatts.

Destaca que atualmente, em 2025, o consumo médio oscila entre 50 a 60 megawatts, sendo que a capacidade instalada é de 70 megawatts, ou seja, a mesma de 2016. E para agravar, conforme acrescentou, a Ilha do Fogo sofreu avaria mecânica e a Ilha do Sal estava com insuficiência na potência.

“Senhoras e Senhores Deputados, os números são claros e devastadores. O estudo técnico que sustenta esta análise — baseado em relatórios da própria ELECTRA e da ARME — estima que, só no primeiro semestre de 2024, a crise energética provocou prejuízos diretos e indiretos superiores a 10,5 mil milhões de escudos cabo-verdianos, o equivalente a 1,2% do PIB nacional”, frisou.

Notou que, metade dessas perdas atingiram as empresas, o comércio e a indústria. O turismo registou cancelamentos, o setor público paralisou, as escolas interromperam aulas, os hospitais funcionaram com geradores, e o ambiente urbano degradou-se.

Prosseguiu, no entanto, que “enquanto o país sofre, a EPEC e a EDEC continuam a publicar comunicados contraditórios, e o Governo fala de compensações de 10% nas faturas — como se 10% de desconto compensasse 60% de escuridão”.

Clovis Silva considera que a crise não é apenas de eletricidade, mas sim uma crise de confiança. E que o cidadão perdeu confiança na capacidade do Estado em garantir o mínimo essencial. Assim como as empresas perderam confiança no ambiente de investimento. E os municípios perderam confiança na coordenação nacional.

“Senhor Primeiro-Ministro, governar é definir prioridades. E a energia devia ser uma prioridade absoluta.E quando a governação falha, deve haver assunção política de responsabilidade”, declarou.

O líder parlamentar do maior partido da oposição defendeu que  Cabo Verde não pode continuar a tratar a energia como um problema técnico resolúvel com mais um gerador emprestado. Afirmou que o país precisa de uma estratégia nacional de soberania energética, que combine planeamento, regulação e investimento sustentável. “Não há futuro digital, industrial ou social sem energia estável. E não há estabilidade sem liderança técnica e coragem política”, finalizou.

Clovis Silva, encerrrou a sua intervenção com os seguintes questionamentos:

  • -  Quando será restabelecido o fornecimento estável de energia em Santiago? Com prazos concretos, não com promessas vagas.
  • - Onde está o investimento na redundância e no armazenamento de energia, previsto no Plano Diretor desde 2018?
  • - Que medidas de compensação justa e automática serão implementadas para as famílias e empresas afetadas?
  • - Haverá responsabilização política e técnica pelos sucessivos falhanços?

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