ATUALIDADE
Violência psicológica contra idosos persiste e exige maior consciencialização da sociedade - coordenadora
A coordenadora do Centro Multiuso da Terceira Idade e Cuidados Integrados alertou esta segunda-feira, na Praia, para a persistência da violência psicológica contra os idosos no país e consciencialização da sociedade para a protecção dos direitos desta classe. Nilda Borges, que falava à Inforpress por ocasião do Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, indicou que muitos actos considerados normais no quotidiano podem constituir formas de violência, sobretudo quando limitam a autonomia e a capacidade de decisão das pessoas idosas. “A maioria das vezes as pessoas nem se apercebem que estão a praticar violência contra os idosos”, reforçou, pois, continuou, muitas situações acontecem de forma inconsciente, principalmente quando se limita a autonomia dos idosos ou se decide por eles. Segundo a coordenadora, apesar dos avanços registados nos últimos anos, com a criação de legislação e instrumentos de protecção dos direitos dos idosos, ainda existe “um longo caminho a percorrer” para garantir o respeito efectivo por esses direitos. Borges defendeu mais acções de sensibilização dirigidas às crianças, adolescentes e adultos, por considerar que a prevenção passa pela educação e pelo fortalecimento de uma cultura de respeito pela pessoa idosa. A responsável apontou a violência psicológica como uma das formas de abuso mais frequentes e observou que comentários depreciativos, limitações injustificadas ou atitudes que afectam a autoestima dos idosos podem ter consequências significativas para o seu bem-estar. Chamou igualmente a atenção para a necessidade de recolha de dados mais consistentes sobre a realidade dos idosos no país, de forma a apoiar a definição de políticas públicas mais ajustadas às suas necessidades. O Centro Multiuso da Terceira Idade e Cuidados Integrados, na Fazenda, é frequentado actualmente por 25 idosos, além de 12 beneficiários acompanhados ao domicílio de vários bairros da cidade da Praia. As actividades desenvolvidas incluem pequeno-almoço, exercícios físicos, momentos recreativos e espaços de convívio, com o objectivo de promover o envelhecimento activo e combater o isolamento social. A coordenadora admitiu, contudo, que a instituição enfrenta limitações de recursos humanos e financeiros, situação que condiciona a realização de actividades fora das instalações e a aquisição de materiais necessários para diversificar as acções dirigidas aos utentes. Entre as necessidades identificadas constam uma animadora social, um fisioterapeuta e um terapeuta ocupacional, profissionais considerados importantes para dinamizar o quotidiano dos idosos e reforçar o acompanhamento prestado pelo centro. As actividades alusivas à efeméride decorreram na passada sexta-feira, numa iniciativa promovida em parceria com a Câmara Municipal da Praia, o Ministério da Saúde e a Coordenação Nacional do Programa de Saúde do Idoso. Entre os frequentadores do centro, José Augusto Mendonça, utente há mais de dez anos, manifestou satisfação com as actividades promovidas e com o ambiente de convivência proporcionado pela instituição. Por seu lado, Isabel dos Anjos destacou a companhia e a atenção que encontra no centro, sublinhando que a convivência com os idosos contribui para o seu bem-estar. “Ali é um bom lugar. Sinto-me acompanhada e gosto de estar com outras pessoas”, contou. Durante a conversa com a Inforpress, a utente defendeu ainda mais respeito pelas pessoas idosas e observou que muitos enfrentam situações difíceis no dia-a-dia e necessitam de maior compreensão por parte da sociedade. O Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa foi oficialmente reconhecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2011, após uma solicitação da Rede Internacional de Prevenção ao Abuso de Idosos (INPEA). A Semana com Inforpress
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