Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), Cabo Verde registou, em 2024, uma taxa de desemprego de 8 por cento (%), com a população desempregada a diminuir de 21.853 para 17.373 indivíduos em relação a 2023.
A nível nacional, sectores como turismo, comércio, e serviços digitais têm sido apontados como áreas de aposta para os jovens empreendedores.
Nesse contexto, a jovem Denise da Veiga, natural do concelho de São Lourenço dos Órgãos, que actualmente reside na cidade da Praia, é um dos exemplos desta tendência. Criou recentemente a sua marca “Doce Encanto”, após enfrentar problemas de saúde que a impedem de continuar a trabalhar normalmente.
“Com medo de perder o meu emprego, decidi fazer algo que me permita auto sustentar-me caso isso aconteça, foi daí que criei a minha empresa”, explicou à Inforpress.
A jovem começou por vender bolos de pote, passou para bolo vulcão, potes de frutas e tigelas ‘gourmet’ é o novo produto incluído no cardápio da sua empresa.
Hoje, já produz bolos de aniversário e pretende aprofundar o seu conhecimento em pastelaria.
“Quero entrar no ramo da pastelaria e aprender a fazer tudo de um pouco”, disse.
Apesar de ser mãe, Denise Veiga conseguiu encontrar um equilíbrio possível com o empreendedorismo e descobriu que conciliar a maternidade com o negócio é complicado, mas frisou “que sempre se deve encontrar soluções”.
Mesmo enfrentando limitações de materiais e espaço, Denise da Veiga optou por encará-los como oportunidades, enfatizando que não vê essas limitações como desafios, mas sim como aprendizados.
Apesar de fazer tudo sozinha, desde a produção, o marketing à gestão da página nas redes sociais, a jovem ambiciona expandir o seu negócio.
Quem também encontrou no empreendedorismo um caminho de afirmação pessoal e cultural foi Marilson Tavares, um jovem artista natural da cidade da Praia.
Começou com telas e caricaturas, mas decidiu aplicar a sua arte em ténis, sempre com inspiração na identidade cultural cabo-verdiana.
A ideia surgiu quando um amigo lhe pediu para personalizar um ténis que não queria deitar fora.
“Pensei, se eu conseguir personalizar o ténis, posso alcançar muitas pessoas que não deixam os seus sapatos guardados ou deitá-los fora”, declarou.
Marilson Tavares chegou a ingressar na universidade, mas a falta de recursos financeiros levou-o a desistir, optando por investir no seu talento e transformá-lo numa fonte de rendimento.
“O maior desafio é o facto de muitas pessoas ainda não valorizarem a identidade cultural cabo-verdiana, além disso, as condições financeiras podem atrapalhar o negócio”, lamentou, sublinhando que importa a maior parte dos materiais com que trabalha.
Além de personalizar ténis para vários cantores como Apollo G, Lose Júnior, Boy Game e Sónia Sousa, Marilson Tavares aceita encomendas dentro e fora do país.
Sem apoio institucional, o jovem investiu em formações em artes culturais e gestão de negócios, e tentou criar um mini-estúdio para crianças.
“A ideia era que, em vez de estar na rua, pudesse passar tempo num espaço, onde aprendesse a desenhar, a expressar as suas ideias e valorizar a cultura através da arte”, explicou.
O vice-presidente da assembleia da Associação dos Jovens Empreendedores de Cabo Verde (AJE-CV), Éder Tavares, referiu que a associação tem sido um suporte fundamental, fornecendo ferramentas como mentorias, formações gratuitas, workshops e palestras.
“Temos um projecto chamado “Impulso Jovem”, que está relacionado com a formação e mentoria, com parceiros para que os jovens possam adquirir competências para entrarem no mundo de negócios”, salientou.
Após as formações, os jovens empreendedores continuam a receber acompanhamento, desde o projecto até à legalização, obtenção de financiamento até à abertura do negócio.
Contudo, segundo Eder Tavares, a legalização das empresas é uma das dificuldades comuns enfrentadas pelos jovens, pois descreve o processo como “burocrático” porque os “jovens são enviados de uma entidade para outra, e isso muitas vezes é desmotivante”.
O vice-presidente da assembleia da AJE-CV destacou a importância do empreendedorismo para o país, argumentando que o Governo não consegue criar postos de trabalho para toda a população.
Nesse sentido, considerou essencial incluir o empreendedorismo desde o ensino básico.
“Se quisermos realmente capacitar os jovens a seguirem o caminho do empreendedorismo, talvez, devêssemos integrá-lo no currículo escolar, começando com noções de educação financeira, como criar uma empresa e como ser autónomo”, concluiu.
A Semana com Inforpress

Reportar
Os meus comentários