O Presidente da República defendeu hoje, em Luanda, a necessidade de se reconfigurar o conceito de desenvolvimento e colocar o ser humano e a sua dignidade no centro das políticas globais, como forma de promover a paz.
O Presidente chamou ainda a atenção para os impactos desiguais da actual conjuntura internacional, salientando que os países que menos contribuem para a instabilidade são os que mais sofrem as suas consequências.“Refiro-me às populações mais carenciadas e aos Estados mais vulneráveis, em especial os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, como Cabo Verde. Somos nações sem recursos minerais, sem indústrias de armamento, mas cujas economias abertas sofrem de forma imediata”, apontou.
José Maria Neves falava em mensagem vídeo, ao intervir na Cimeira da Aliança das Civilizações das Nações Unidas, realizada em Luanda, dedicada à reflexão sobre os desafios do continente africano e da ordem internacional.
Segundo José Maria Neves, o panorama geopolítico contemporâneo, “longe de caminhar para a harmonia profetizada no pós-Guerra Fria”, é hoje caracterizado por guerras e violência que “sobrepõem-se à diplomacia”, enquanto o multilateralismo e as regras do Direito Internacional, “outrora concebidos como o escudo dos mais fracos”.
O Presidente chamou ainda a atenção para os impactos desiguais da actual conjuntura internacional, salientando que os países que menos contribuem para a instabilidade são os que mais sofrem as suas consequências.
“Refiro-me às populações mais carenciadas e aos Estados mais vulneráveis, em especial os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, como Cabo Verde. Somos nações sem recursos minerais, sem indústrias de armamento, mas cujas economias abertas sofrem de forma imediata”, apontou.
Para o Presidente da República, “a arquitetura da Paz não se constrói apenas com a ausência de guerra, mas com a presença de justiça e dignidade”, e defendeu que o desenvolvimento deve assentar na valorização da pessoa humana.
Neste sentido, recordou a recente Conferência Internacional sobre a Crioulidade Atlântica, realizada na Praia, onde, segundo disse, ficou demonstrado que “o diálogo intercultural e a hibridização de saberes são antídotos naturais contra o extremismo”.
“A Crioulidade ensina-nos que a identidade não é um sistema fechado, mas uma ponte; não é uma trincheira, mas um espaço de confluência”, afirmou.
José Maria Neves recorreu ainda ao exemplo da seleção nacional de futebol, os Tubarões Azuis, para defender que a convivência entre os Estados deve assentar no respeito pelas regras, na disciplina e no fair-play.
O mesmo evocou Amílcar Cabral ao lembrar que “a nossa luta não era contra povos, mas contra sistemas de opressão”, para defender que a paz duradoura exige o respeito pelo Direito Internacional e pela dignidade dos povos.
“Se queremos o fim dos conflitos e o respeito pelo Direito Internacional, as grandes potências devem abdicar da lógica da força e abraçar a força da razão e da equidade cultural”, concluiu.
A Semana com Inforpress






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