Ponta d´água enfrenta constantemente casos de assaltos à mão armada e assassinatos. Relembremos o recente caso de Nilsa Lima, jovem assassinada, na porta de casa, por dois jovens, em agosto do ano passado, na sequência de um conflito entre grupos rivais. A morte da jovem deixa uma lacuna imensa na família e uma profunda tristeza a toda a comunidade.
Os principais causadores deste problema social são os jovens que estão sem um rumo na vida. Quem nos conta mais sobre isso é Carlos Tavares, Presidente de Direção, da Associação Cultural e Desportiva—Maracanã de Ponta d´água, pelo que enxerga os problemas sociais na comunidade como desafios.
Segundo ele, há um número bastante alto de jovens que estão numa situação de desemprego, sendo assim, seu tempo é completamente vago, causando deste modo alguns problemas na comunidade, como assaltos e assassinatos. Esse é inclusive um dos motivos que o levou a fundar a associação Maracanã, criada em 2014.
Carlos observou que um grande número de crianças estavam na rua, muito por conta da ausência das mães, que são normalmente as chefes de família, e saem para o trabalho em busca de uma vida melhor, e deixam os filhos muitas vezes na rua “aprendendo com o que a rua ensina”.
Aponta que desde a criação da associação tem registrado uma diminuição da delinquência juvenil, e até o fim de grupos rivais dentro da zona.
Impacto da associação na comunidade
“A criação da associação Maracanã trouxe um impacto muito positivo para a comunidade, tirando vários adolescentes e jovens da rua, e dando-lhes uma ocupação, com várias atividades assinalada pela associação e trazendo união” analisa.
Carlos Tavares declara que sozinho esse trabalho é incompleto, para fazer face às necessidades da comunidade. Por isso afirma que o Estado deve fazer a sua parte.
É necessário um programa do governo virada para associações que trabalham dentro da comunidade. A Câmara Municipal da Praia por exemplo fez uma política interessante, deu gratificação para duas pessoas que trabalham na associação, e uma quantia financeira para desenvolver atividades durante um ano. No entanto é uma pena porque não deram continuidade, o ano transato não tivemos esse benefício”, explica.
A população lida diariamente com as consequências da criminalidade, que afetam as suas vidas e mancham o nome do bairro. Em conversa com a moradora Filomena, ela relata que os assaltos são recorrentes, cometidos por menores delinquentes. A situação segundo a moradora é terrível, porque mesmo dentro de casa não estão seguras, “os bandidos atiram pedra e derrubam a porta das pessoas, querendo a todo custo levar o pouco que trabalhamos com tanto suor”, desabafa.
Propõe que esses menores delinquentes sejam colocados no centro educativo Orlando Pantera, na cidade da Praia, onde acolhe jovens em conflito com a lei.
A moradora diz-se satisfeita com o trabalho da Polícia junto à população, porém considera não ter tanta força, porque prendem e logo depois a justiça solta.
Um outro morador do mesmo bairro, de nome Júlio, corrobora da mesma impressão de Filomena, na qual os criminosos têm mais poder do que a justiça, porque eles vão preso e logo são soltos sem maiores consequências.
Este senhor, reflete que a quantidade de crianças que estão na vida da marginalidade é alarmante e deve ser tomada medidas. Relata ainda que a pouco tempo viu por volta de dez jovens nas imediações da sua casa (na divisa com Vila Nova) passarem com armas de fogo artesanal, mas logo encontraram um policial judiciário, que os dispersou com um tiro. Pede desta forma, que retorne a patrulha dos militares.
Rute, uma moradora que já sentiu na pele a violência dos criminosos, diz-se indignada. Perguntada se a quantidade de jovens na vida da criminalidade se deve ao desemprego, ela responde de forma categórica que não, “eles estão na vida do vandalismo porque querem, há trabalho, porém não querem trabalhar”.
Esta jovem questiona se realmente vai ser construída uma esquadra policial em Ponta d´água como foi avançado.
“Queremos uma esquadra na nossa zona. Ouvi dizer que iriam construir no lugar da antiga capela. Espero realmente que se materialize, porque assim deverá diminuir a violência”, pede.
Os inúmeros casos de criminalidade são reflexo…….É preciso políticas fortes para enfrentar os desafios associados à criminalidade. Não somente as autoridades, mas também a comunidade, deve envolver-se em combater a criminalidade e promoção de mudanças positivas.

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