terça-feira, 28 julho 2026

Que proposta é essa, senhor Primeiro-Ministro Ulisses, de tentar nomear opositor para Embaixador??!!

Na história da República é o único Primeiro-Ministro que quis emplacar um opositor como embaixador. O ineditismo de Ulisses saiu pela culatra. Nesse caso, o Premier deve uma explicação à DN do MpD sobre essa proposta. 

Não são as condições que impedem o Filú de representar o País na qualidade de embaixador. Todos sabemos da sua dedicação, tanto política como as de servir à Nação cabo-verdiana.

Bem frisou o Senhor Presidente da República, que diz ter vetado conscientemente Filú para embaixador em Cuba, já que lhe havia causado estranheza a proposta de Ulisses de indicar um nome forte do PAIGC/CV, afirmando que nomear Filú para Havana equivaleria a trespassar todas as linhas vermelhas.

O Presidente enumerou os seus critérios publicamente adotados agora para que não se ultrapassem as linhas vermelhas, elencando, em primeiro lugar: que os candidatos sejam de carreira diplomática e não embaixadores com base na escolha política; que não seja nomeado quem já esteja aposentado ou prestes a se aposentar; que não se nomeie quem seja fortemente conectado com a política ativa ou esteja no “Furacão da política”. Informou ainda que várias propostas de nomeação já foram recusadas por ele.

Não creio que Ulisses não saiba da existência de longa data de alas no PAIGC/CV, onde Zema e Filú militam em lados opostos, ou então está sendo mal assessorado. José Maria Neves, Zema, e Filú são crias do PAIGC/CV, uma vez que ambos iniciaram as suas atividades políticas na juventude/adolescência na JAAC-CV. Se não me falha a memória, o primeiro, em Assomada, com continuação no Liceu da Praia, e o Filú, na capital, Praia, com continuidade na Ilha das Montanhas, onde desempenhou as funções de professor e dirigente da JAAC-CV.

O Filú pode não estar ativo agora nas estruturas do PAIGC-CV, mas a sua trajetória política não o desvincula jamais do partido histórico fundado por Amílcar Cabral, sendo um líder partidário de renome na cena nacional de carteirinha passada, e é do PAIGC-CV, que é oposição de sempre do MpD. Isso fica claro para qualquer cidadão cabo-verdiano.

Homem de 70 anos pode ser Presidente da República, Primeiro-Ministro, Ministro, Presidente da Câmara Municipal e também Embaixador em qualquer lugar do mundo, só que o Presidente adotou o seu critério para que isso não aconteça na nomeação de embaixadores e deixou claro para todos.

O que não se compreende é qual a lógica ou marketing político adotado por Ulisses para emplacar Filú como embaixador com sua proposta feita ao Presidente da República, que conhece muito bem a trajetória do proponente em virtude das relações políticas existentes entre eles.

Portanto, Senhor Premier, explique melhor essa jogada de marketing político fracassada, que saiu pela culatra sem nenhuma lógica em termos políticos.

Definições:

Veto – (Direito Constitucional) Discordância do Presidente da República com determinado projeto de lei ou nomeação pelo Governo ou ainda instrumento usado pelo Presidente para impedir ou discordar, pelo menos em um primeiro momento, da entrada em vigor de uma lei.

Opositor – Que ou aquele que se opõe (a alguém, algo, a qualquer ato, disposição etc.).

Marketing Político – É um conjunto de técnicas e procedimentos que tem objetivo de apresentar um candidato ao seu eleitorado potencial, procurando fazê-lo, num primeiro momento, conhecido do maior número de eleitores e, em seguida, mostrando-o diferente de seus adversários, obviamente melhor do que eles (cientista político Rubens Figueiredo). Trata-se de uma tentativa de suprir os anseios e necessidades recorrentes do eleitorado em determinado momento e de adequar o discurso do (a) candidato (a) para não fugir das preocupações da sociedade, sendo ainda uma ferramenta utilizada por candidatos e partidos políticos para conquistar votos e popularidade entre os possíveis eleitores.

Culatra – Parte posterior do cano das armas de fogo, onde geralmente é feito carregamento de munições = Recâmara. Parte traseira de algo (Ex: ia na culatra do rebanho = Retaguarda). Refere-se a uma situação em que um plano ou ação acaba tendo um resultado oposto ou indesejado ao esperado ou mecanismo móvel de uma arma de fogo que permite a introdução da munição na câmara, a explosão e a ejeção do invólucro. Fica perto do rosto do atirador quando faz mira.

Trespassar – Capacidade de um projétil para traspassar um corpo aquando do impacto. Transpor, ultrapassar. Passar de um lado a outro – Atravessar. Passar a outrem um bem ou um direito = ceder, transmitir, não respeitar ou não cumprir, desrespeitar, transgredir = Acatar.

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Comentários

Soares
16 dias atrás

Pobresa , palavra que precisa sair nosso dicionário.

Miranda
20 dias atrás

Boa sorte

Terra
11 dias atrás

Mesmo verdade roupa sujo tem que ser lavado dentro da casa para os que não sabe o que fala,

Pub-Reportagem

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