terça-feira, 28 julho 2026

I Internacional

Rússia: Filha de mentor de Putin morre em explosão de carro armadilhado

Darya Dugina, de 29 anos, morreu ontem à noite na explosão de um carro nos arredores de Moscovo, num atentado que visaria o pai. Alexander Dugin (ver na rubrica Retratos deste jornal) e a filha tinham estado no festival "Tradição" em Zakharovo — em celebração do poeta Alexander Pushkin — e iam regressar a Moscovo no mesmo veículo, mas o pai decidiu no último minuto que viajariam separados.

 

Darya Dugina destacou-se nos últimos meses como jornalista defensora da invasão russa da Ucrânia. Em maio descrevia a guerra como "um embate de civilizações" e orgulhou-se de estar, desde março como o pai desde 2015, a ser alvo de sanções pelos Estados Unidos e Reino Unido, devido ao seu propalado "contributo contínuo para a desinformação acerca da guerra da Rússia na Ucrânia", segundo a BBC escreveu então.

Alexander Dugin, de 60 anos, é um nacionalista russo e ativo defensor da Igreja Ortodoxa, muito criticado no Ocidente pela sua defesa dum pan-eslavismo que erradicando todas as "culturas religiosa e moralmente desviantes" da Europa estender-se-ia pelo mundo.

É tido como o mentor do presidente Putin a quem — através das suas ideias defendidas desde os anos 1980 (impressas em mais de 30 títulos nos útlimos vinte e cinco anos) — teria influenciado no sonho de reconstituir a Grande Rússia, e mais além.

Em março de 2020, entrevistado no site russo Geopolitica, Dugin disse que quando o coronavírus "chegar ao fim da sua vitoriosa marcha através do planeta" a atual ordem mundial terá chegado ao fim.

Segundo o filósofo, que nas suas palestras utiliza imagens bíblicas para defender a destruição do estilo de vida ocidental, a Covid-19 surgiu para castigar o mundo mas como um apocalipse donde vai surgir um mundo pan-eslavo, religiosa e moralmente ideal.

Os estudiosos do duginismo destacam que o filósofo «propala, sem ser desmentido pelo seu discípulo Putin, a ideia de uma Rússia a liderar o ’Império Euro-Asiático’». De certo modo, retoma a ideologia soviética, sob Lenine e Estaline, de uma revolução mundial que "encaixaria todas as nações na União de Repúblicas Socialistas Soviéticas". O fracasso desse sonho lenine-estalinista teria levado Dugin nos anos 80 a afastar-se do comunismo e a aproximar-se do fascismo.

Fontes: DW.de/BBC. Fotos: Darya Dugina na TV acompanha o pai na defesa da guerra contra a Ucrânia, tal como em 2015 o pai defendeu a anexação da Crimeia. Na manhã de domingo decorre a investigação no local da explosão.

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Comentários

Soares
17 dias atrás

Pobresa , palavra que precisa sair nosso dicionário.

Miranda
21 dias atrás

Boa sorte

Terra
11 dias atrás

Mesmo verdade roupa sujo tem que ser lavado dentro da casa para os que não sabe o que fala,

Pub-Reportagem

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