terça-feira, 28 julho 2026

I Internacional

Cineasta brasileira Júlia Murat vence Leopardo de Ouro do Festival de Locarno

O filme "Regra 34", terceira longa-metragem da realizadora brasileira Júlia Murat, conquistou o Leopardo de Ouro, prémio máximo do Festival de Cinema de Locarno, anunciou hoje o júri da competição principal, na cerimónia de encerramento.

Com um apelo à defesa da democracia, da diferença e do diálogo, e uma crítica ao "governo fascista" de Jair Bolsonaro, Júlia Murat agradeceu o prémio, recordando que o anterior e único Leopardo de Ouro conquistado por uma longa-metragem do cinema brasileiro data de 1967, quando distinguiu "Terra em Transe", de Glauber Rocha, e o país se encontrava sob ditadura militar (1964-1984).

"Uma ditadura que durou mais 17 anos", recordou Murat, desejando "sinceramente, que tenhamos agora uma história diferente". "Espero que sejamos capazes de parar a loucura deste governo fascista", afirmou Júlia Murat, já distinguida no festival de Berlim pelo filme anterior, "Pendular".

Sem prémios para "Nação Valente", de Carlos Conceição, selecionado para a competição oficial, é assim "Gigi la Legge", do italiano Alessandro Comodin, Prémio Especial do Júri, que de algum modo garante uma presença portuguesa no palmarés principal: o filme teve montagem do realizador João Nicolau, a quem Comodin também dirigiu os agradecimentos.

O maior número de prémios foi porém reunido por "Tengo Sueños Eléctricos", da costa-riquenha Valentina Maurel, com três Leopardos: Melhor Realização, Melhor Atriz (Daniela Marín Navarro) e Melhor Ator (Amien Gutiérrez).

Na competição dedicada a Cineastas do Presente, o Leopardo de Ouro distingiu "Nightsiren", da realizadora eslovaca Tereza Nvotová, enquanto o Prémio Especial do Júri e o Leopardo de Melhor Atriz foram para o filme "How Is Katia?", da cineasta ucraniana Christina Tynkevych, e a sua protagonista, Anastasia Karpenko, que deixaram um apelo pelo seu país: "Rezem pela Ucrânia! ’Slavia’ Ucrânia!"

Nesta secção, o croata Juraj Lerotic teve o Leopardo de Melhor Realização e o Prémio de Melhor Primeira Obra, por "Safe Place".

Nas curtas-metragens, da secção Pardi di Domani, foram distinguidos o cubano "Soberane", de Wara, e a produção franco-brasileira "Big Bang", de Carlos Segundo.

O Grande Prémio da Semana da Crítica foi para o documentário "The Hamlet Syndrome", de Elwira Niewiera e Piotr Rosolowski, coprodução germano-polaca que levou de novo a Ucrânia para a sessão de encerramento, com a história de uma companhia de Kiev, que tenta montar a tragédia de Shakespeare.

"Stone Turtle", de Ming Jin Woo, da Malásia, venceu o prémio FIPRESCI da Federação Internacional de Críticos de Cinema.

O cinema português esteve representado em Locarno com "Nação Valente", de Carlos Conceição, na competição oficial, e com a estreia extra-competição dos documentários "Onde fica esta rua? Ou sem antes nem depois", de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, e "Objetos de Luz", de Acácio de Almeida.

O realizador Daniel Soares estreou a ’curta’ "Please make it work", que resultou de uma residência académica no festival.

Foi também estreada em Locarno a longa-metragem "Nossa senhora da loja do chinês", de Ery Claver, produção angolana do coletivo de cinema independente Geração 80.

O júri da competição principal de Locarno - competição internacional - foi composto pelos produtores e realizadores Michel Merkt, Prano Bailey-Bond, Alain Guiraudie, William Horberg e Laura Samani.

A 75.ª edição do Festival de Cinema de Locarno teve início no passado dia 03 e foi encerrada este sábado,13. A Semana com Lusa

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Comentários

Soares
17 dias atrás

Pobresa , palavra que precisa sair nosso dicionário.

Miranda
21 dias atrás

Boa sorte

Terra
11 dias atrás

Mesmo verdade roupa sujo tem que ser lavado dentro da casa para os que não sabe o que fala,

Pub-Reportagem

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