terça-feira, 28 julho 2026

I Internacional

Israel: 20 ultra-ortodoxos agridem passageira por estar sentada à frente

"Nestes dois anos que faço o percurso entre Elad e Jerusalem, ida e volta, recebi muitos insultos verbais de base religiosa, mas esta é a primeira vez que sou agredida fisicamente", disse a mulher vítima de um grupo de 20 ultra-ortodoxos, todos homens, que no primeiro dia desta semana judaica se juntaram, com insultos verbais e agressões físicas, para obrigar a passageira a sair do seu lugar na primeira fila do autocarro.

A passageira narrou o acontecido à televisão Ynet: "Estava no autocarro da carreira Jerusalém-Elad quando entrou um grupo de vinte homens e decidiram que eu não podia estar na primeira fila".

"Fico sempre à frente porque atrás enjoo e até chego a vomitar", contou ela que faz o percurso há dois anos.

Por isso, recusou deixar o lugar. Começaram a chover insultos, entre os quais o pejorativo "gentia" — utilizado para quem não é (ultra-)ortodoxo, mas "gentio" — portanto uma discriminação baseada na pertença religiosa.

"Começaram depois a puxar-me o cabelo, cada vez com mais força. Quando tentei chamar a polícia, impediram-me de usar o telemóvel".

A empresa de autocarros ouvida pela Ynet expressou "total repúdio" pelo sucedido e "lamenta profundamente a vitimização das passageiras", pelo que está a cooperar com a Polícia Nacional" para impedir a ocorrência de casos semelhantes".


Autocarros velhos castigam utentes

A empresa decidiu, segundo os lesados "como medida punitiva" visando a comunidade de ultra-ortodoxos, repescar autocarros velhos para substituir os danificados. Mas todos os utentes estão a sofrer, como pessoas da minoria não-haredim expressaram junto à imprensa da referência.

"Nós, cidadãos de bem, estamos a ser também castigados. Andamos agora em autocarros velhos que estão sempre a parar por avaria, não têm nenhum conforto, não têm ar condicionado quando os termómetros chegam a mais de 40 ºC!", diz um passageiro.

Outro pede: "Mandem os vossos repórteres ver o que se passa nas carreiras 417, 418, 497" que servem a área metropolitana de Jerusalém — que os líderes das três religiões monoteístas proclamam ser a sede ecuménica, mas que é cada vez mais lugar de confrontos sectários.

Fontes: Haaretz/CNS/Ynet.il. Fotos(AFP/Getty): Homens da comunidade haredi do estrato etário 25-34 anos mantêm profissões seculares a par de práticas religiosas fundamentalistas, segundo estudos recentes sobre o crescimento da intolerância no Estado de Israel. As mulheres do grupo religioso ultra-ortodoxo, designadas "Neshot Ha Shalim/mulheres de xaile (tapadas)", cobrem-se completamente, as adultas com roupa preta.

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Comentários

Soares
17 dias atrás

Pobresa , palavra que precisa sair nosso dicionário.

Miranda
21 dias atrás

Boa sorte

Terra
11 dias atrás

Mesmo verdade roupa sujo tem que ser lavado dentro da casa para os que não sabe o que fala,

Pub-Reportagem

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