Israel e Líbano estão em Roma para uma sétima ronda de negociações entre os dois países desde o início da guerra na região, sob o patrocínio dos Estados Unidos, com o objectivo de uma retirada sucessiva das forças israelitas do sul do país.
Já se passou mais de um mês desde a assinatura do acordo-quadro por Israel e Líbano, em Washington DC, que prevê a retirada gradual das forças israelitas do sul do Líbano e o destacamento do exército libanês para a região, começando por áreas-teste conhecidas como “zonas-piloto”, bem como o desarmamento do Hezbollah.
As negociações desta semana, que deverão prolongar-se até quinta-feira, constituem a sétima ronda de conversações patrocinadas pelos EUA desde que o Hezbollah levou o Líbano para a guerra no Médio Oriente, em março, com disparos de foguetes contra Israel, em apoio ao seu aliado, o Irão.
Israel respondeu com intensos ataques aéreos e uma invasão terrestre que, segundo o Líbano, já causaram a morte de mais de 4 300 pessoas. Do lado israelita, o exercito registou a morte de 38 soldados e de um contratante civil.
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou na terça-feira que as negociações diretas trariam “nada mais do que vergonha, humilhação e sucessivos compromissos” para o Líbano. Num discurso televisionado, criticou também o presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmando que este “não agiu como árbitro, nem como figura unificadora, mas tornou-se parcial e divisivo, o que é incompatível com o seu papel e com a força do Líbano”.
“Zonas piloto” a Sul do Líbano
Após as negociações do mês passado, as forças armadas de Israel retiraram-se dos arredores da aldeia de Zawtar al-Gharbiya, uma das primeiras zonas-piloto. O exército libanês destacou-se para a zona e permitiu que os residentes voltassem para as suas casas e estabelecimentos comerciais.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou numa reunião do Conselho de Ministros, na segunda-feira, que o seu país estava a prosseguir “esforços no sentido de retiradas sucessivas de Israel do território libanês, conduzindo a uma retirada total”.
Um responsável do Departamento de Estado dos EUA tinha declarado à agencia de noticias AFP que as discussões desta semana iriam “incluir a expansão das zonas-piloto, a resolução de todas as questões fronteiriças pendentes e trabalhar no sentido de um acordo abrangente de paz e segurança”.
Já o embaixador dos Estados Unidos no Líbano, Michel Issa, apelou na segunda-feira a uma aplicação “responsável” do acordo-quadro: “avançar demasiado depressa corre o risco de pôr em perigo os próprios civis que este processo se destina a proteger”, afirmou num comunicado.
Embora a violência tenha diminuído desde junho, Beirute continua a registar ataques israelitas esporádicos e a denunciar explosões no sul do país.
Especialistas têm manifestado dúvidas sobre a implementação do acordo-quadro, duvidando da capacidade das autoridades libanesas de desarmar o Hezbollah, que se opõe ao acordo com Israel e se recusa a entregar as suas armas, mas também do comprisso de Israel de se retirar quando forem selecionadas “zonas-piloto” em áreas totalmente sob a sua ocupação.
A violência no Líbano diminuiu desde o acordo entre o Líbano e Israel e a assinatura, em junho, de um acordo preliminar entre os EUA e o Irão sobre o conflito no Médio Oriente.
No entanto, o Líbano continua a registar ataques e bombardeamentos israelitas intermitentes, bem como detonações e demolições em aldeias do sul. Na noite de 30 para 31 de julho, forças israelitas detonaram aproximadamente 700 toneladas de explosivos perto do castelo de Beaufort, classificado pela UNESCO, tendo Israel afirmado ter destruído túneis utilizados pelo grupo militante Hezbollah.
A Semana com RFI

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