domingo, 02 agosto 2026

E Economia

Indústria automóvel treme com prisão de super-presidente de Renault-Nissan-Mitsubishi

O franco-brasileiro Carlos Ghosn, presidente da Nissan, Renault e Mitsubishi, foi detido, na segunda-feira, 19, e arrisca uma pena de dez anos, após uma investigação interna ter apurado que ele ’dissimulou rendimentos’ para defraudar o fisco.

O tribunal de Tóquio confirmou esta terça-feira que Carlos Ghosn, de 64 anos, está em prisão preventiva para responder por "crimes financeiros", como a "sonegação de rendimentos e fraude fiscal". O montante em causa atinge ¥5 biliões de ienes (4,281 mil milhões CVE) desde 2011.

O diretor-geral da Nissan, Hiroto Saikawa, anunciou que reunirá na quinta-feira, 22, o conselho de administração para demitir o PCA das funções. "Carlos Ghosn utilizou bens da companhia em benefício próprio", diz um comunicado ontem emitido pela Nissan, em Yokohama.

A investigação interna da Nissan apurou, segundo o Japan Times desta terça-feira, que Ghosn escondeu do fisco que tinha utilizado grátis várias residências pertencentes à empresa, em países como a Holanda, França, Roménia e Estados Unidos. Pela lei, o benefício tinha de ser declarado como parte do rendimento — que com tais benefícios atingiu mais do dobro dos ¥4,985 biliões de ienes declarados.

É um terramoto esta prisão do fundador da "atípica aliança" Renault-Nissan-Mitsubishi, segundo analistas. Carlos Ghosn — nascido no Brasil e descendente de libaneses e japoneses, e que veio a obter ainda as nacionalidades francesa e libanesa — era tido como o ’imperador’ na aliança entre as três marcas.

De herói no Japão a presidiário

Em 2005 Ghosn entrou para a história do Japão ao salvar a Nissan à beira da falência. O controlador de custos, como ficou conhecido desde finais de 1990 na Renault, usou a mesma estratégia para fazer da Nissan a empresa que hoje está no topo da Indústria automóvel.

Na próxima quinta-feira, no arranha-céus em Yokohama, a capital do automóvel, onde desde 1999 Ghosn deu as cartas, vai ter lugar a sua destituição formal.

Fontes: Le Monde/ Japan Times. Foto (Reuters): Família Ghosn — Carlos e quatro filhos — vive entre Nova Iorque, Tóquio e Paris.

Ocultar formulário

5000 caracteres restantes


Colunistas

Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
21 Jul. 2026
SOBRE ESTAR SÓ
Sei que há muito palpite sobre a solidão. Altemar...
José João Neves Barbosa Vicente
José João Neves Barbosa Vicente
21 Jul. 2026
 “TUBARÕES AZUIS”: A REPRESENTAÇÃO DE UM POVO
A atuação dos “Tubarões Azuis” contribui para inspirar crianças,...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
21 Jul. 2026
Justiça social, racionalidade orçamental e o papel...
A vitória eleitoral de Francisco Carvalho e da plataforma...
Péricles Tavares
Péricles Tavares
12 Jun. 2026
Carta Aberta ao novo Primeiro-Ministro:Responsabilidade de unir...
Estamos convictos de que, sob a sua liderança, Cabo...
Domingos Landim de Barros
Domingos Landim de Barros
03 Jun. 2026
Radiografia da minha eira
Algo que, com todo o preito, se assemelha à...

Comentários

jcf
3 dias atrás 16 horas atrás

Meu caro, o teu texto é um belo exercício de contorcionismo: começa a falar de justiça social, passa pela “racionalidad ...

Soares
21 dias atrás

Pobresa , palavra que precisa sair nosso dicionário.

Miranda
25 dias atrás

Boa sorte

Pub-Reportagem

publireport