A ONU denunciou hoje um agravamento da situação dos direitos humanos no Irão nos últimos meses, na sequência da repressão dos protestos iniciados no final de 2025 e da intensificação das tensões militares na região.
A título de exemplo, a relatora disse que "mais de um milhar de civis terão sido mortos nos ataques no Irão, uma escola primária foi atingida e vários locais classificados como Património Mundial pela UNESCO [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura] ficaram danificados".
Acomunidade internacional deve garantir que a responsabilização e a proteção do povo do Irão continuem a ser questões de máxima prioridade", defendeu a relatora especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos na República Islâmica do Irão, ao apresentar perante o Conselho de Direitos Humanos, em Genebra (Suíça), o mais recente relatório concluído ainda antes da ofensiva militar lançada por Estados Unidos e Israel.
A relatora Mai Sato sublinhou que "a situação deteriorou-se ainda mais na sequência dos ataques militares ilegais levados a cabo por Israel e pelos Estados Unidos" desde que o relatório foi concluído.
A título de exemplo, a relatora disse que "mais de um milhar de civis terão sido mortos nos ataques no Irão, uma escola primária foi atingida e vários locais classificados como Património Mundial pela UNESCO [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura] ficaram danificados".
Os ataques às infraestruturas petrolíferas provocaram chuvas negras tóxicas, tendo a Organização Mundial de Saúde [OMS] alertado para graves consequências a longo prazo para a saúde pública", prosseguiu.
Sato defendeu que para "colocar o povo do Irão no centro de qualquer solução, a escalada militar deve cessar e todas as partes devem retomar imediatamente o diálogo diplomático".
A relatora sublinhou que "à medida que as tensões militares se intensificam na região, as autoridades iranianas devem pôr imediatamente termo ao uso excessivo da força contra civis, libertar todas as pessoas detidas por exercerem as suas liberdades fundamentais, restabelecer o acesso sem restrições à Internet e permitir que a sociedade civil desenvolva o seu trabalho essencial em matéria de direitos humanos".
Ao apresentar o relatório, que analisou o impacto nos direitos humanos dos protestos iniciados a 28 de dezembro de 2025 em todo o país, dois meses antes da ofensiva militar norte-americana e israelita, a relatora da ONU disse que o volume de contribuições recebidas excedeu em muito todos os períodos anteriores desde assumiu o mandato, em agosto de 2024.
"A dimensão da preocupação foi sem precedentes. Muitas contribuições vieram de indivíduos sem qualquer historial anterior de ativismo, que partilharam as suas experiências correndo um risco pessoal considerável. Os protestos chegaram a todos os cantos do país, representando uma amostra representativa da sociedade iraniana unida pelo desejo de um futuro diferente", disse.
De acordo com Mai Sato, "testemunhos descrevem manifestantes, incluindo crianças, a serem alvejados à queima-roupa ou severamente espancados pelas forças de segurança".
"Dezenas de milhares de manifestantes, bem como profissionais de saúde e advogados, terão sido detidos arbitrariamente, mantidos incomunicáveis, privados de representação legal e sujeitos a confissões forçadas transmitidas pela televisão estatal. Alguns detidos, incluindo crianças, enfrentam agora a pena de morte", advertiu.
Sato acrescentou que as forças de segurança também terão invadido hospitais, detido manifestantes feridos e agredido pessoal médico. Familiares de vítimas ou de detidos descreveram pressões para que permanecessem em silêncio e interferências nas cerimónias fúnebres.
De acordo com o relatório, "as violações apontam para padrões sistémicos, em vez de incidentes isolados, incluindo a falta de investigação de alegações de uso excessivo da força e a crescente securitização das respostas aos protestos civis".
A relatora explicou que "a interrupção das telecomunicações imposta durante os protestos foi seguida por uma segunda, na sequência da escalada militar, deixando a população iraniana cada vez mais isolada da informação e uns dos outros".
"A alegada ausência de sirenes de ataque aéreo e abrigos antiaéreos funcionais em muitas áreas urbanas agrava as preocupações quanto à proteção básica da população civil durante as hostilidades", indicou o relatório.
O documento, que cita estimativas do ACNUR [Alto Comissariado da ONU para os Refugiados], apontou que entre 600 mil e um milhão de famílias iranianas, cerca de até 3,2 milhões de pessoas, se encontrem agora temporariamente deslocadas dentro do país, muitas delas a fugir de Teerão e de outras grandes cidades.
Apesar dos repetidos pedidos, não foi concedida a Mai Sato autorização para visitar o Irão, tendo a relatora defendido que "uma visita é agora mais necessária do que nunca".
A Semana com NM







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