Uma tentativa de golpe abalou o Benim quando militares anunciaram na televisão pública a destituição do Presidente Patrice Talon. Tiros foram ouvidos em Cotonou e helicópteros sobrevoaram zonas sensíveis. A presidência afirma que Talon está em segurança e que o exército regular retomou o controlo. O episódio expõe tensões internas num contexto político e regional já frágil.
Uma brusca irrupção de militares na televisão pública beninense, na manhã de domingo, 7 de Dezembro, mergulhou, segundo a RFI, o país na incerteza. Apresentando-se como um "Comité Militar para a Refundação", os golpistas declararam ter "destituído das suas funções" o Presidente Patrice Talon, no poder desde 2016 e cujo mandato deveria terminar em Abril 2026. No entanto, nas horas que se seguiram, o círculo próximo do Chefe de Estado afirmou que o exército regular estava a retomar progressivamente o controlo da situação.
Segundo a mesma fonte, a mensagem difundida em directo pela estação pública BTV surpreendeu até nos meios de segurança. Rodeados de soldados armados, os oficiais insurgentes leram um comunicado em nome do tenente-coronel Pascal Tigri, que dizem colocar à frente de um "Comité da Refundação Militar". Segundo a declaração, o comité pretendia "restaurar a ordem nacional" e pôr termo ao que qualificam de "derivas institucionais", sem explicitar as motivações nem a extensão do apoio no seio das forças armadas.
Em nenhum momento, os golpistas reivindicaram o controlo de locais estratégicos. Testemunhas relatam uma intervenção limitada à sede da televisão pública, acessível sem necessidade de uma operação militar de grande escala.
Em Cotonou, a capital económica, a manhã foi marcada por movimentações pouco habituais em diversas zonas sensíveis. Tiros esporádicos foram ouvidos nas imediações do porto e nas proximidades da presidência. Helicópteros sobrevoaram também o bairro administrativo, segundo fontes locais.
Círculo presidencial garante que a situação está "sob controlo"
De acordo com a RFI que cita responsáveis militares próximos do poder, o movimento estaria limitado a "um grupúsculo de pessoas que apenas conseguiu tomar a televisão por alguns instantes". A presidência assegura que Patrice Talon e a família estão em segurança, que as tentativas de cercar a residência oficial falharam e que as operações de contra-ataque permitiram securizar os principais pontos nevrálgicos da cidade.
Embora o Benim tenha sido poupado às vagas de golpes de Estado que abalaram vários países da África Ocidental nos últimos anos, a região continua marcada por uma fragilidade na segurança crescente, agravada por tensões políticas e desafios socioeconómicos.
O mandato de Patrice Talon, apesar de elogiado por certas reformas económicas, tem sido criticado, nomeadamente depois das eleições legislativas de 2019.
A poucos meses da transição prevista para Abril de 2026, o episódio deste domingo levanta questões sobre eventuais fracturas dentro do exército e sobre o clima político na aproximação ao fim do mandato presidencial, conclui a fonte deste jornal.







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