O candidato presidencial Fernando Dias afirmou na noite de quarta-feira que escapou a tentativa de detenção em Bissau por homens armados. Em local incerto, confirmou ainda que foi detido Simões Pereira, líder do PAIGC.
A Missão de Observação Eleitoral da União Africana (UA), em conjunto com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e o Fórum dos Anciãos da África Ocidental, manifestou profunda preocupação e condenou veementemente o ocorrido, na véspera da divulgação dos resultados das eleições presidenciais e legislativas, que estava previsto para esta quinta-feira 27.
Num vídeo divulgado nas redes sociais, Fernando Dias relata que homens armados invadiram a sua sede de campanha, enquanto se reunia com observadores internacionais, e diz ter conseguido fugir graças à intervenção rápida de jovens presentes no local.
O candidato independente apoiado pelo Partido da Renovação Social (PRS) e pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que se declarou vencedor das eleições presidenciais de domingo 23, considera que o país está a viver um "falso" golpe de Estado.
"Estamos a ser alvo de uma falsa tentativa de golpe de Estado, por uma simples razão: eu ganhei as eleições presidenciais na primeira volta. E este é um plano montado por Umaro Sissoco Embaló, para entregar o poder aos militares, já que perdeu as eleições para castigar o povo guineense", declarou.
Falando a partir de um local incerto, o candidato confirmou ainda a detenção de Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, e do advogado Octávio Lopes, ambos conduzidos para as celas da segunda esquadra, no contexto do golpe militar que abalou o país.
"Pedimos aos guineenses para que saiam às ruas para exigir a libertação de Domingos Simões Pereira e de todos nós. Pedimos às entidades competentes, àqueles que tomaram o poder a força para que libertem todos os detidos e permitam divulgação dos resultados eleitorais e o restabelecimento do estado de direito no país", apelou o político guineense.
Dias também pediu à comunidade internacional que assumir as suas responsabilidades para que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) possa anunciar os resultados eleitorais.
Alto Comando assume poderes do Estado
Após tiroteios ouvidos em Bissau, pelas 12h40 desta quarta-feira 26, os militares tomaram o poder no país. Numa declaração transmitida pela Televisão Pública da Guiné-Bissau, o Comando Militar para a Restauração da Ordem Constitucional anunciou que assumiu "a plenitude dos poderes do Estado da República da Guiné-Bissau". A declaração foi lida por Denis N'tchama na Televisão Pública.
Segundo o comunicado, a decisão surge na sequência da descoberta de "um plano em curso para desestabilizar o país", alegadamente envolvendo políticos nacionais e estrangeiros, bem como "a participação de um conhecido barão da droga".
O Alto Comando apelou à calma e à colaboração da população guineense, justificando as ações como resposta a uma “emergência nacional".
A Missão de Observação Eleitoral da União Africana (UA), em conjunto com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e o Fórum dos Anciãos da África Ocidental, manifestou profunda preocupação e condenou veementemente o ocorrido, na véspera da divulgação dos resultados das eleições presidenciais e legislativas, que estava previsto para esta quinta-feira 27.
A Semana com DW África







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