Dia de votação na Guiné-Bissau hoje. Mais de 966 mil eleitores são chamados às urnas para eleger o seu futuro presidente e os 102 deputados do Parlamento, paralisado desde 2023 após uma alegada tentativa de golpe de Estado. O actual presidente, Umaro Sissoco Embaló, procura um segundo mandato, mas na oposição Fernando Dias recebeu o apoio oficial do PAIGC, o partido histórico, afastado do escrutínio assim como o seu líder, Domingos Simões Pereira, por decisão do Supremo Tribunal. Os guineenses marcaram presença nas mesas de voto em Bissau, o ambiente esteve calmo mas com forte presença militar na capital.
Em Bissau, esta manhã, já havia habitantes presentes antes das 7 horas. Na escola primária Ernesto Che Guevara, cerca de vinte pessoas acompanharam a instalação do material eleitoral: cabines de voto, urnas — uma destinada às legislativas e a outra às presidenciais. Jenive Gomes da Mata Vieira estava entre as primeiras pessoas da fila.
“A eleição é importante para o país poder andar e alcançar momentos melhores. Temos muito trabalho.”
Finda, 28 anos, veio cedo para exercer o seu direito e dever como cidadã, que afirma ser “muito importante”, porque se trata de “escolher quem irá liderar o país”. Chegou cedo, às 7h15.
“Se não votarmos, não teremos o privilégio de reclamar. Se tudo der certo, sem problemas, vai correr tudo bem”, afirma Finda, antes de se juntar à fila na mesa de voto.
“O país decide de voto. Sem voto, nada pode mudar. Se há eleição é porque algo pode mudar. Acho que esta é a eleição mais decisiva do país. Ultimamente há dois blocos na Guiné-Bissau, e estas eleições servem para verificarmos se realmente estamos divididos ou não. Muitas pessoas reclamam contra a má governação do actual presidente, e de outras coisas. É por isso que estamos a decidir se vamos continuar com ele ou se vamos mudar.”
A observar o decorrer da votação estão ainda os delegados dos partidos, todos estão presentes menos, claro os das coligações PAI Terra Ranka ou API Cabas Garandi, excluídas do escrutínio pelo Supremo Tribunal de Justiça. Os observadores da sociedade civil foram impedidos de estar presentes e as suas acreditações retiradas pelas autoridades, este sábado.
A importância destas eleições para os guineenses nota-se ainda nos números: são 42 mil eleitores a mais do que no precedente escrutinio, de acordo com os dados da Comissão Nacional de Eleições.
A Semana com RFI/Foto: O Democrata







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