No dia em que poderia ter chegado a um Mundial pela primeira vez na história, Cabo Verde cedeu um empate contra a Líbia em Tripoli e adiou o eventual apuramento inédito para a última jornada (3-3).
Cabo Verde empatou com a Líbia em Tripoli, falhando o primeiro match point para carimbar a inédita qualificação para o Campeonato do Mundo. Tudo ficou adiado para a última jornada, com os cabo-verdianos a estarem novamente obrigados a vencer Essuatíni na próxima segunda-feira (17h), na cidade da Praia, para marcarem presença no Mundial dos EUA, do Canadá e do México em 2026.
Poderia ter sido muito mais do que um dia importante — poderia ter sido um dia histórico. Esta quarta-feira, Cabo Verde empatou com a Líbia em Tripoli e desperdiçou a primeira oportunidade de se apurar pela primeira vez para um Campeonato do Mundo. O país africano, que precisava de apenas um triunfo nas duas últimas jornadas do apuramento, está agora obrigado a bater Essuatíni para marcar presença no Mundial 2026.
Mas comecemos pelo início. Cabo Verde chegou a esta quarta-feira com seis vitórias, um empate e uma derrota na qualificação e mais quatro pontos do que o segundo classificado do Grupo D, os Camarões — equipa que venceu em Praia no início de setembro e num jogo que se tornou decisivo para o apuramento e contou até com invasão de campo, sendo que o Governo cabo-verdiano até deu tolerância de ponto a toda a população para que todos pudessem assistir ao encontro sem quaisquer reservas.
Numa altura em que muitas vozes míticas do futebol de Cabo Verde surgiram naturalmente a dar apoio e força aos Tubarões Azuis, o antigo capitão Marco Soares quis recordar a “responsabilidade”. “Neste momento a vantagem é nossa, mas de um momento para o outro tudo pode embrulhar-se. Têm de meter na cabeça que têm 180 minutos para dar uma alegria a muitos cabo-verdianos que tiveram vidas e vidas de sofrimento, mas que neste momento só vão querer dizer que Cabo Verde está no Mundial. Têm essa responsabilidade, mas é uma responsabilidade boa”, indicou o agora treinador adjunto do Paredes, que como jogador representou Barreirense, União de Leiria, Olhanense, Feirense e Arouca.
Assim, depois de um curto estágio em Lisboa e contra uma Líbia que estava no terceiro lugar do Grupo D com 14 pontos e que é orientada por Aliou Cissé, o selecionador Bubista lançava Vozinha, guarda-redes do Desp. Chaves, na baliza, para além de Yannick Semedo (Farense), Telmo Arcanjo (V. Guimarães) e Dailon Livramento (Casa Pia), com Stopira (Torreense), Sidny Lopes Cabral (Estrela da Amadora) e Bruno Varela (ex-Benfica e V. Guimarães) a começarem no banco.
Num autêntico balde de água gelada para um país inteiro, Cabo Verde começou praticamente a perder: no lance inicial do jogo, na sequência de um cruzamento na direita, Pico tentou intercetar e acabou por desviar para a própria baliza, colocando a Líbia a vencer (1′). Os cabo-verdianos reagiram, combateram a muralha adversária e chegaram ao empate à passagem da meia-hora, com Telmo Arcanjo a responder de cabeça a um bom cruzamento de Jamiro Monteiro na esquerda (29′).
Ainda assim, os líbios conseguiram mesmo resgatar novamente a vantagem antes do intervalo. Muad Eisay aproveitou a passividade da defesa cabo-verdiana e passou por vários adversários antes de rematar para uma defesa atenta de Vozinha, com Ezoo El Mariamy a surgir a marcar na recarga (42′). No fim da primeira parte, Cabo Verde estava a perder com a Líbia em Tripoli.
Bubista mexeu logo ao intervalo e tirou Heriberto Tavares para lançar Ryan Mendes, médio de 35 anos que é o capitão e atua no Igdir da Turquia. Ainda assim, Cabo Verde entrou mal na segunda parte, permitindo uma clara superioridade à Líbia e demonstrando um claro nervosismo que ia complicando o objetivo. Um objetivo que ficou ainda mais difícil já perto da hora de jogo, quando Mahmoud Al Shalwi aumentou a vantagem líbia com um livre direto impressionante (58′).
O selecionador cabo-verdiano fez mais duas substituições, colocando Sidny Lopes Cabral e Nuno da Costa, mas a lógica manteve-se e os líbios até poderiam ter aumentado a vantagem, com o guarda-redes Vozinha e os ferros da baliza a impedirem que mais golos aparecessem. Mas tudo mudou com um erro. Sidny Lopes Cabral reduziu a desvantagem com um golo inacreditável em que o guarda-redes Murad Al Wuheeshi fica com toda a responsabilidade (76′) e Willy Semedo, que entretanto tinha entrado, empatou pouco depois na sequência de uma confusão na área (82′). A reviravolta, porém e apesar de um golo invalidado por fora de jogo nos descontos, não chegou a aparecer.
Cabo Verde empatou com a Líbia em Tripoli, falhando o primeiro match point para carimbar a inédita qualificação para o Campeonato do Mundo. Tudo ficou adiado para a última jornada, com os cabo-verdianos a estarem novamente obrigados a vencer Essuatíni na próxima segunda-feira (17h), em Praia, para marcarem presença no Mundial dos EUA, do Canadá e do México em 2026.
Com a eventual qualificação inédita no ano em que também assinala os 50 anos da independência, Cabo Verde poderá tornar-se o segundo país mais pequeno de sempre a chegar a um Campeonato do Mundo, já que tem menos de 600 mil habitantes — o mais pequeno até agora foi mesmo a Islândia, no Mundial da Rússia de 2018, com pouco mais de 400 mil habitantes. Adicionalmente, os cabo-verdianos podem juntar-se a Uzbequistão e Jordânia no lote de estreantes, já que os dois países também alcançaram a primeira qualificação de sempre para um Mundial.
Cabo Verde poderá ser também o quarto país de língua oficial portuguesa a chegar a um Campeonato do Mundo, depois de Brasil, Portugal e Angola. Os angolanos, aliás, registam apenas uma participação no Mundial, em 2006 e na Alemanha, sendo que não foram além da fase de grupos — onde até cruzaram com a Seleção de Portugal, perdendo pela margem mínima com um golo de Pedro Pauleta.
A Semana com Observador







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