segunda-feira, 27 julho 2026

C Cultura

José Luiz Tavares apresenta “Um Preto de Maus Bofes” no festival literário Correntes d’Escritas

O poeta, de 56 anos e nascido no Tarrafal, interior da ilha de Santiago, caracterizou à Inforpress o novo livro como o seu “textamento poético e existencial”, escrito entre os dias 29 e 31 de Janeiro de 2020, “quando a pandemia estava às portas”.

“Embora este livro andasse na minha cabeça havia já algum tempo, foi essa circunstância o desencadeador do processo de escrita”, esclareceu.

“E textamento (com x) porquê? Porque é a matéria vivida (ou presumivelmente vivida) transformada pelo processo criador, percorrendo o itinerário existencial, seus cumes e tropeços, numa espécie de balanço e de ajuste de contas comigo, com o mundo e com a literatura”, reforçou.

“Um Preto de Maus Bofes”, que será apresentado às 18:30 de Portugal (17:30 em Cabo Verde), pelo escritor Rui Zink,  é, segundo o crítico literário António Cabrita, um livro raro e difícil de ler porque exigente, como foram os livros de Grabato Dias e de João Vário.

“E raro, dado que a diatribe pode afogar quem a pratica nas suas águas revoltas, e só um poeta de muito fôlego e de experimentado estro é capaz de aguentar, como aqui acontece, o ritmo de um pleito de sabres sem ficar cego, descurando o cuidar do verbo no acinte das estocadas”, observou o crítico.

Para António Cabrita, o que torna exasperante e magnífica a poesia de José Luiz Tavares, mesmo a que contunde e lhe transpira das irritações, é que nunca navega à cabotagem.

“Tavares navega e perde-se no miolo da lonjura, para se achar, o que leva ao combate de um poeta maduro, que conquistou o respeito tatuando com sangue as teclas, contra a trivialização oportunista”, reforçou.

O festival literário Correntes d’Escritas, que assinala este ano 25 edições, abriu oficialmente na quarta-feira, com a atribuição do Prémio Literário Casino da Póvoa de Varzim e uma conferência pelo ensaísta José Gil sobre “Literatura e filosofia”.

Com um programa centrado na “Liberdade”, em alusão aos 50 anos do 25 de Abril, o encontro de escritores de expressão ibérica que é organizado anualmente pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim conta este ano com a presença de 120 autores de 16 nacionalidades, entre os quais os cabo-verdianos Germano Almeida e Joaaquim Arena.

Natural do Tarrafal de Santiago, José Luiz Tavares estudou Literatura e Filosofia em Portugal, onde vive há mais de três décdas. De 2003 a esta parte já publicou uma vintena de obras literárias.

José Luiz Tavares é o escritor mais premiado de sempre de Cabo Verde, tendo recebido, no país e no estrangeiro, entre outros, o prémio Cesário Verde, prémio Mário António da Poesia, prémio Jorge Barbosa, prémio Pedro Cardoso, prémio Cidade de Ourense de Poesia, prémio BCA/Academia Cabo-verdiana de Letras.

Por três vezes consecutivas recebeu o Prémio Literatura para Todos do Ministério da Educação do Brasil, foi finalista duas vezes do prémio ibero-americano Correntes d’escritas, finalista do Pen Club Português, semifinalista do Prémio Portugal Telecom de Literatura e Oceanos de Língua Portuguesa.

Alguns dos livros do escritor integram o Plano Nacional de Leitura de Cabo Verde e Portugal e estão traduzidos para inglês, francês, espanhol, italiano, alemão, mandarim, neerlandês, russo, finlandês, catalão, galês e letão.

 

A Semana com Inforpress

24 de fevereiro 2024

Ocultar formulário

5000 caracteres restantes


Colunistas

Comentários

Soares
15 dias atrás

Pobresa , palavra que precisa sair nosso dicionário.

Miranda
19 dias atrás

Boa sorte

Terra
10 dias atrás

Mesmo verdade roupa sujo tem que ser lavado dentro da casa para os que não sabe o que fala,

Pub-Reportagem

publireport