O principal opositor na Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, foi esta sexta-feira ouvido pelo Tribunal Militar na qualidade de declarante sobre uma alegada tentativa de golpe de Estado em outubro de 2025, de acordo com os advogados.
O presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, encontra-se em prisão domiciliária, depois de mais de dois meses na cadeia, desde a tomada de poder pelos militares, na Guiné-Bissau, em 26 de novembro de 2026.
Em 25 de outubro e a poucas semanas das eleições gerais, o Estado-Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau anunciou a detenção de vários militares na sequência de uma alegada tentativa de golpe de Estado perpetrada por generais e oficiais de alta patente do Exército.
De acordo com o advogado, foi no âmbito desta alegada tentativa de golpe de Estado que Domingos Simões Pereira foi chamado esta sexta-feira ao Tribunal de Militar e que “foi ouvido na qualidade de declarante” para responder “sobre o que sabe ou não sabe” acerca do caso.
“Ele não sabe nada e nunca se meteu nisso”, disse o advogado aos jornalistas, vincando que “não é suspeito, nem é nada” e que “dificilmente vai ser ouvido uma segunda vez” neste processo.
“O tribunal disse-nos que esta medida (a prisão domiciliária) não tem nada a ver com este processo”, referiu, indicando que o coletivo de advogados vai “ter que ver qual a outra via de resolver esta situação da prisão domiciliária“.
Simões Pereira é líder do PAIGC e da coligação PAI- Terra Ranka, que venceu as eleições legislativas de junho de 2023 e foi afastada do poder com a dissolução do parlamento, tendo sido deposto da presidência do parlamento e o executivo substituído por um Governo de iniciativa presidencial.
Dois anos depois, a Guiné-Bissau foi a eleições gerais, presidenciais e legislativas, pela primeira vez sem o histórico partido PAIGC, excluído do processo eleitoral, assim como o líder, por decisão judicial.
O PAIGC apoiou nas eleições gerais de 23 de novembro de 2025 o candidato Fernando Dias, que reclamou vitória na primeira volta sobre o ex-Presidente e candidato a um segundo mandato, Umaro Sissoco Embaló.
Um golpe militar interrompeu o processo eleitoral, três dias depois das eleições e um dia antes da divulgação dos resultados oficiais provisórios.
A Semana com Observador/Lusa







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