quinta-feira, 25 junho 2026

Canadá não assinará acordo de livre comércio com a China, diz Carney em resposta a Trump

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O primeiro-ministro canadiano disse no domingo que o país não tenciona avançar com um acordo de livre comércio com a China. Mark Carney Rragiu desta forma à ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 100% sobre bens importados do Canadá, caso o país avançasse com um acordo comercial com Pequim.

Carney disse que o atual entendimento com a China apenas reduz tarifas em alguns setores recentemente atingidos por sobretaxas.

O presidente dos Estados Unidos parece cético, tendo afirmado na rede social Truth Social que a "China está a assumir o controlo do outrora grande Canadá".

"É muito triste ver isto acontecer. Espero apenas que deixem o hóquei no gelo em paz!", afirmou o líder norte-americano.

Segundo o primeiro-ministro canadiano, ao abrigo do acordo de livre comércio com os Estados Unidos e o México, existem compromissos de não avançar com acordos semelhantes com outras economias sem notificação prévia.

“Não temos qualquer intenção de o fazer com a China ou com outra economia não de mercado”, disse Carney. “O que fizemos com a China foi corrigir alguns problemas que surgiram nos últimos dois anos.”

Tarifas sobre veículos elétricos chineses

Em 2024, o Canadá replicou os Estados Unidos ao aplicar uma tarifa de 100% aos veículos elétricos provenientes de Pequim e de 25% ao aço e ao alumínio.

China respondeu impondo taxas de importação de 100% sobre o óleo e farelo de canola canadianos e de 25% sobre a carne de porco e produtos do mar.

Durante uma visita à China, este mês, Carney reduziu a tarifa de 100% sobre carros elétricos chineses em troca de tarifas mais baixas sobre esses produtos canadianos.

O primeiro-ministro canadiano afirmou que haverá um limite anual inicial de 49 000 veículos para as exportações de elétricos chineses que entram no Canadá, com uma tarifa de 6,1%, aumentando para cerca de 70 000 em cinco anos, observando que este limite não existia antes de 2024. Carney acrescentou que o limite inicial nas importações de elétricos chineses corresponde a cerca de 3% dos 1,8 milhões de veículos vendidos anualmente no Canadá e que, em contrapartida, a China deverá começar a investir na indústria automóvel canadiana dentro de três anos.

Trump publicou no domingo um vídeo em que o diretor executivo da Associação dos Fabricantes de Veículos do Canadá alerta que não haverá indústria automóvel canadiana sem acesso aos Estados Unidos, assinalando que o mercado canadiano, por si só, é demasiado pequeno para justificar produção em larga escala por parte da China.

“Imperdível. O Canadá está a destruir-se de forma sistemática. O acordo com a China é um desastre para eles. Vai ficar como um dos piores acordos, de qualquer tipo, na história. Todas as suas empresas estão a mudar-se para os EUA. Quero ver o Canadá sobreviver e prosperar!”, escreveu Trump nas redes sociais.

Discurso de Carney em Davos

A publicação de Trump no sábado dizia que, se Carney achava que iria "transformar o Canadá num ‘porto de descarga’ para a China enviar bens e produtos para os Estados Unidos, está redondamente enganado”.

“Não podemos permitir que o Canadá se torne uma porta por onde os chineses despejem os seus bens baratos para os EUA”, disse também o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, no programa “This Week”, da ABC.

“Temos um (Acordo Estados Unidos–México–Canadá), e com base nisso, que será renegociado este verão, não estou certo do que o primeiro-ministro Carney está a fazer aqui, a não ser tentar sinalizar virtude aos seus amigos globalistas em Davos.”

A ameaça de Trump surgiu em plena escalada verbal com Carney, numa altura em que a intenção do presidente republicano de adquirir a Gronelândia fez aumentar as tensões do seio a NATO.

Carney tem-se afirmado como líder de um movimento para os países encontrarem formas de se articular e contrariarem os Estados Unidos sob Trump. No seu discurso em Davos, Carney disse que as “potências médias devem agir em conjunto, porque quem não está à mesa está no menu”, e alertou para a coerção por parte das grandes potências, sem mencionar, no entanto, o nome de Trump. O primeiro-ministro canadiano recebeu ampla atenção e elogios pelas declarações.

O impulso de Trump para adquirir a Gronelândia surgiu depois de ter provocado repetidamente o Canadá sobre a sua soberania e sugerido que também fosse absorvido pelos Estados Unidos como 51.º estado.

Na semana passada o presidente dos EUA publicou nas redes sociais uma imagem alterada na qual mostra um mapa do país que incluía o Canadá, a Venezuela, a Gronelândia e Cuba como parte do seu território.

 

A Semana com Euronews

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