quinta-feira, 25 junho 2026

Cheias: Quase 20 mil pessoas resgatadas em Moçambique

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As cheias em Moçambique já afetaram 651.843 pessoas desde 07 de janeiro, com 12 mortos e 95.870 cidadãos em centros de abrigo, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

 O Governo moçambicano anunciou no sábado (25.01) que quase 20 mil pessoas foram resgatadas, nas províncias de Maputo e Gaza, devido às cheias, em operações que envolvem 44 embarcações e pelo menos 14 meios aéreos.

De acordo com o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, até ao dia de sábado foram "resgatadas" 19.254 pessoas, sitiadas pela subida das águas, sendo 11.693 na província de Maputo e 7.561 na província de Gaza, sul de Moçambique, operações coordenadas pela Unaproc, Unidade Nacional de Proteção Civil das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.

"As missões de resgate das populações estão a ser realizadas por equipas da Unaproc e outras instituições nacionais e internacionais, num de total de 63 efetivos. Estão mobilizadas 44 embarcações, quatro aeronaves, nove helicópteros e uma viatura anfíbia que está em operação desde ontem [sexta-feira]", disse o porta-voz.

Resposta humanitária suficiente? 

Acrescentou que as ações de salvamento "contam ainda com a presença de bombeiros de resgate e salvamento que trabalham 24 horas por dia", além de 160 voluntários da Cruz Vermelha e de outras organizações "alocados aos diversos centros de acolhimento e acomodação".

"A resposta humanitária às cheias e inundações em Moçambique tem garantido assistência, até este momento, considerada suficiente para as populações afetadas, em especial nos 94 Centros de Acolhimento e Acomodação", explicou ainda Impissa, na comunicação diária sobre a situação das cheias em Moçambique.

Acrescentou que a intransitabilidade na estrada Nacional 1 (N1), entre as províncias de Gaza e Maputo, desde o passado sábado, também devido às cheias, "deixou muitos concidadãos sem possibilidade de chegar aos seus destinos", mas apontou que desde 19 de janeiro a Linhas Aéreas de Moçambique já realizou 42 voos, não previstos inicialmente entre as duas províncias, "tendo transportados um total de 3.014 passageiros".

"Dada a crescente procura por transporte aéreo, a partir de hoje, 24 de janeiro de 2026, a nossa companhia aérea aumentou a frequência, para seis voos diários", disse ainda.

Adicionalmente, "devido à crescente demanda de cidadãos que pretendem se deslocar", e com incidência para a cidade de Maputo, o Governo anuncia para segunda-feira, dia 26 de janeiro, uma ligação marítima a partir do Porto de Chongoene. 

"Esta ligação marítima será garantida pela embarcação mista, que vai ligar Maputo a Chongoene [sul de Gaza] e vice-versa transportando mercadoria de emergência e mercadoria comercial, para além da capacidade para transportar 100 passageiros. A viagem por trajeto tem duração de seis horas", explicou Impissa.

Mais de 650 mil afetados

As cheias em Moçambique já afetaram 651.843 pessoas desde 07 de janeiro, com 12 mortos e 95.870 cidadãos em centros de abrigo, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso, com dados até às 13:30 (11:30 de Lisboa) de hoje, as cheias que se registam em vários pontos do país afetaram o equivalente a 141.251 famílias, com registo de 3.396 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 71.600 inundadas.

Face ao balanço anterior, de sexta-feira, o número de pessoas afetadas aumentou em mais 10 mil, essencialmente nas províncias de Maputo e de Gaza.

Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias em cerca de 15 dias, numa altura em que centenas de famílias continuam sitiadas, a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.

Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 131 pessoas em Moçambique, além de 144 feridos, e 779.506 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.

Até 16 de janeiro, era referido o total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique (que vai de outubro a abril), avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional.

 

A Semana com DW África/Lusa

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