segunda-feira, 27 julho 2026

A Solidão de Hora Seguinte

 

Às vezes, sou um amplo e competente desprendido. Embora sob um manto de apatia, tão notável de divisar e de assistir, tal que a do prezado filho de algo e de exceção, o denodado africanista, Elysée Turpin, o inaugural discípulo de monta de Cabral, na altruísta, fatídica e refletida contemplação do seu jazido camarada, Aristides Maria Pereira. Depois do nitente Pivô da Hespéria e da Galé, será o magnífico Elysée o vulto de maior envergadura nas terras de vanguarda da heroica luta. Tenho tenção de ser esnobe à minha áspera maneira. Pois, nunca levo a carne inteira ao assador, no sentido de adorar os trafulhas e fanáticos do burgo.

 

No fundo, o sopro humano, quando solto, são fatias de efémeros instantes, para reter escassos itens de iguaria. Um beijo adocicado, uma eletrizante e suculenta mordedela no caroço de acepipe, um abraço conivente e afeiçoado, um mito idolatrado, como o grito da liberdade, uma leda fantasia acelerada, uma mentira bem urdida e calibrada…  Depois de espasmos, apagam-se as lâmpadas do clique, a luz da epifania e não há gás, no momento de um aceno constrangido e para sempre. Assim, nenhuma derrota do inimigo me satisfaz, na completude. Nada de glória alheia me regozija, na plenitude. Nenhum esmero doutrem me rejubila no fundo de imo.  Ouso morder o isco da minha sina, para me firmar e dar ossada de construtura, com pé na estrada.

Um psiu de exaltação e de árdua receção da minha sorte, um rasgo de certeza chega tarde e já me sobra. Sou ente, um bicho de amiudada terra estranha que, como bem diria Camões - «Com tão pouco está contente». Eu quero um puritano cosmo de intrepidez, um espaço de esplendor e de repleto ar na botija do chão cardíaco. Minha alma impa pela plúrima justeza, gatinha e sangra, vítima de uma falsa ideia de esquerda, patuleia e sedutora; de uma mainata e falaciosa coisa oposta, com a sua elite rastaquerista, subserviente, boçal e mui merceeira. Ostracizada e torriscada, chora a minha alma, no meio de uma hedionda incongruência no território, antes de perecer. Tudo à causa do veneno da sua imune integridade. E não será nunca por vaidade ou petulância. Maldade não existe no cardápio da minha ciência. Eu não preciso do patrocínio de ninguém para fazer aquilo que me palpita o coração e dá prazer.

O vaticínio sai da boca do funil de ubiquidade. É cumprimento de um desígnio, no couro de agrilhoado ser da trilha, sob esbirro de verdugo e de jumento que, na vereda de Rubro Zorro, não se deixa amolecer e federar. Tenho a pinta de naífe ingenuidade nas minhas veias. Prefiro a franja de nobreza nas atitudes, ao invés da teta de abastança nas algibeiras. Ontem, choveu a cântaros na lide, enorme no jardim da minha eira. Exclamei: ave, meu Deus! Pulei catita e acalorado, como num ritual para bacantes. Parti o enguiço e dancei por vírgula silente de sensação, por uma perspetiva alinhavada, um verso bem plantado no viveiro de Dom Apolo, um brilho ou frase inspirativa e ciosamente conseguida de Zacimba de Cabinda, clamando por nativa liberdade. Senti-me estonteantemente airoso. Minha bandeira de quintessência só esvoaça a lenitivo do sinal da minha mente. E, quiçá, por medidas de precaução. Sou meeiro de uma herdade sem acionistas no horizonte de pretensões.  Corro sozinho e corro por mim mesmo. Vivo sob o signo de uma vetusta e mísera tribuna, sob a saga de uma tribo que me esmaga, tira tino. Cultivo um antigo e discrepante clã de agiotas esganados, num pária de país que me sufoca, vira a tampa. E tudo de fetiche em minha vida dura um triz.

De seguida, sabe a fel de redundante retirada. Apenas o trabalho com grudado suor no rosto permanece. Oh salitroso chão de Hespéria! Trago na gema, na gana e na veneta a propensão pelo declínio. Paira a sempre mítica ilusão na fronte de retina da minha vista, arde-me na mão a frouxa tocha de redenção. Detesto as espúrias aventuras de me porem a mentir e a fabricar iniquidade. Ontem, o alçado miradouro do meu arraial, com azimute de uma excelsa preciosidade, catapultou-me para um ápice de brio.  E os nefilins da ilha nem me viram. Há em mim períodos de altivez e de quietude, de firmeza e de tibieza, interlúdios de agitação e flacidez.

Às vezes, sou um amplo e competente desprendido. Embora sob um manto de apatia, tão notável de divisar e de assistir, tal que a do prezado filho de algo e de exceção, o denodado africanista, Elysée Turpin, o inaugural discípulo de monta de Cabral, na altruísta, fatídica e refletida contemplação do seu jazido camarada, Aristides Maria Pereira. Depois do nitente Pivô da Hespéria e da Galé, será o magnífico Elysée o vulto de maior envergadura nas terras de vanguarda da heroica luta. Tenho tenção de ser esnobe à minha áspera maneira. Pois, nunca levo a carne inteira ao assador, no sentido de adorar os trafulhas e fanáticos do burgo.

Não nasci para beijar a mão dos insipientes e matutos do principado. Fico galante de me ver nas vestes de um proeminente Barnabé da Bíblia, a invulgar lenda do Chipre. Pois, quando proscrito, sou bem capaz de me render e dar arrimo a um fraterno meu dervixe - «Vai tu que já sou velho. A tua realização enfarta-me de gozo assaz radioso, coroa-me de bálsamo, reconforta-me bastante e ledamente contamina». Estou em frente do utópico panteão dos memoráveis e dou alvíssaras aos impolutos maiorais das minhas rijas e sinceras amizades.

 ...

*Na própria pele de sisudo caminhante

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Comentários

Soares
16 dias atrás

Pobresa , palavra que precisa sair nosso dicionário.

Miranda
20 dias atrás

Boa sorte

Terra
10 dias atrás

Mesmo verdade roupa sujo tem que ser lavado dentro da casa para os que não sabe o que fala,

Pub-Reportagem

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