sábado, 20 junho 2026

A ATUALIDADE

Estudo internacional sobre doença de Parkinson permitirá melhor tratamento dos doentes no país- especialista

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 A directora do Serviço de Neurologia do HUAN destacou esta segunda-feira a importância do estudo epidemiológico internacional sobre alterações genéticas associadas à doença de Parkinson, considerando que os resultados permitirão uma melhor orientação do tratamento dos doentes no país.

Albertina Lima, que falava à margem do arranque deste estudo, que decorre a partir de hoje no Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN), na cidade da Praia, sublinhou que o conhecimento das características genéticas da população é fundamental para melhorar a abordagem terapêutica.

“Quando conhecemos a nossa característica genética, conseguimos orientar melhor o tratamento”, afirmou, avançando que o estudo decorrerá também nas ilhas de Santo Antão entre 30 e 31 de Março, e termina em São Vicente, nos dias 01 e 02 de Abril, contando com o apoio de quatro especialistas internacionais,

A especialista classificou ainda a cooperação internacional como de “extrema importância”, salientando que a iniciativa prevê a colaboração com especialistas estrangeiros, que irão avaliar doentes no país, bem como a formação de neurologistas cabo-verdianos em Portugal, com vista ao reforço de competências técnicas e científicas.

Relativamente à prevalência da doença, indicou que o serviço tem actualmente registados mais de uma centena de pacientes em acompanhamento, admitindo, no entanto, que o número real possa ser superior.

Segundo explicou, a doença afecta maioritariamente pessoas com mais de 60 anos e é mais frequente no sexo masculino.

A neurologista do HUAN alertou também para a existência de sintomas pré-motores, que podem surgir até 20 anos antes do diagnóstico, como a perda de olfato, distúrbios do sono e dores inespecíficas, recomendando às famílias que estejam atentas a esses sinais e procurem orientação médica mais cedo.

Quanto à capacidade de resposta, garantiu que o HUAN dispõe actualmente de cinco neurologistas e tem reforçado o atendimento através de teleconsultas, assegurando apoio a nível nacional e encaminhamento de casos que necessitem de avaliação especializada.

Em representação da equipa de neurologistas internacionais, o subdirector da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e director do Serviço de Neurologia da Unidade de Saúde de Santa Maria, Joaquim Ferreira, afirmou que a cooperação entre as instituições portuguesas e cabo-verdianas visa melhorar os cuidados prestados aos doentes.

O responsável destacou que estudos recentes indicam que a doença de Parkinson não é rara em Cabo Verde, apresentando desafios semelhantes aos verificados em Portugal, Europa e em outros países do mundo.

Nesse sentido, considerou “essencial caracterizar melhor os doentes” no país, incluindo a realização de estudos genéticos.

Segundo Joaquim Ferreira, os resultados deste estudo poderão não só melhorar o tratamento dos doentes em Cabo Verde, como também contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos com impacto a nível global.

 

A Semana com Inforpress

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