quarta-feira, 22 julho 2026

AJOC acusa Ministério Público de agir contra liberdade de imprensa

Em nota de imprensa assinada pelo presidente da Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), Geremias Furtado, lê-se que a este processo soma-se ainda “a inserção de falsidades, prática que há muito vem sendo denunciada por diversas personalidades”.

A direcção disse ter recebida “com preocupação mais uma investida” do Ministério Público e voltou a defender a revogação do artigo 113.º Código de Processo Penal, alegando que tem já apresentado propostas concretas para uma revisão legislativa, “num diálogo que continua a ser ignorado pelo legislador”.

“Há uma grave incoerência entre os artigos 112.º e 113.º do Código de Processo Penal cabo-verdiano”, reforçou.

“Esta acção da Procuradoria-geral da República, como temos dito em várias ocasiões, é selectiva e desproporcionada, já que em Cabo Verde têm sido inúmeros os casos em que processos sob o manto do segredo de justiça foram noticiados pela imprensa, sem que os autores ou os órgãos de comunicação social fossem levados a tribunal”, lê-se na comunicação do sindicato da classe jornalista.

A AJOC reafirmou que os cabo-verdianos têm o direito de ser esclarecidos, sobretudo quando estão em causa casos de elevado interesse público, como o possível envolvimento de um membro do Governo num caso de homicídio, afiançando que, neste caso, “o único ‘crime’ cometido pelos nossos colegas foi informar com verdade e rigor”.

“Infelizmente, os mesmos responsáveis políticos que se mantêm em silêncio perante esta situação são os que depois aparecem a vangloriar-se pelas posições de Cabo Verde nos rankings internacionais de liberdade de imprensa e democracia”, explicitou a direcção.

A AJOC pediu ainda que “o exemplo de coragem e determinação” de Hermínio Silves e Daniel Almeida inspire toda a classe.

Realçou que jornalismo não é crime e apelou à serenidade, mas também à união e firmeza de todos os jornalistas.

“Este é o momento de mostrar que estamos unidos e fortes em torno do jornalismo livre, independente e responsável. Da nossa parte vamos fazer chegar estas informações a todas as instituições internacionais com as quais mantemos relações para que se saiba que o jornalismo em Cabo Verde vive em estado de calamidade”, finalizou. 

Hermínio Silves, jornalista de Santiago Magazine, e Daniel Almeida, do A Nação, é acusado de violação de segredo de justiça e desobediência qualificada por causa da divulgação das investigações à morte violenta de Zezito Denti d’Oru, ocorrido a 13 de Outubro de 2014, na Cidadela.

O caso tinha como suspeitos agentes da PJ que integravam o Grupo de Operações Tácticas da instituição e, supostamente, liderados por Paulo Rocha, actual ministro da Administração Interna e na altura dos factos director nacional adjunto da PJ.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

Soares
11 dias atrás

Pobresa , palavra que precisa sair nosso dicionário.

Miranda
15 dias atrás

Boa sorte

Terra
5 dias atrás

Mesmo verdade roupa sujo tem que ser lavado dentro da casa para os que não sabe o que fala,

Pub-Reportagem

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