segunda-feira, 15 junho 2026

A ATUALIDADE

Fundação Servir Cinema Cabo Verde exorta a incentivo na CPLP para impulsionar o audiovisual

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O presidente da Fundação Servir Cinema Cabo Verde, Júlio Silvão, defendeu  esta quarta-feira a criação de uma estrutura na CPLP para gerir o cinema e audiovisual, promovendo integração, financiamento e circulação de obras entre os Estados-membros.

Em entrevista exclusiva à Inforpress, Júlio Silvão partilhou os principais pontos discutidos no fórum realizado pelo FESTin, Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, realizado em Lisboa, de 04 a 07 de Junho, sob o tema “Políticas para o Cinema em Língua Portuguesa”, que reuniu instituições públicas e organizações civis do sector. 

“O encontro foi uma oportunidade para socializar experiências e discutir a necessidade urgente de se criar uma instância da CPLP que permita gerir, de forma integrada, o cinema e o audiovisual. Precisamos de uma CPLP dos povos, não apenas dos governos”, sublinhou.

Segundo explicou, o fórum contou com a participação de representantes institucionais do Brasil e de Portugal, além de especialistas da área, e centrou-se na discussão de políticas de financiamento e circulação de obras audiovisuais dentro da comunidade lusófona.

úlio Silvão frisou que os países da CPLP ainda enfrentam desafios diversos, desde a inexistência de estruturas governamentais para o sector até a dificuldade de acesso ao financiamento.

Neste sentido, defendeu o fortalecimento de parcerias, a continuidade de iniciativas como o Docs CPLP e a criação de mecanismos para exibição gratuita de filmes nas comunidades mais afastadas dos centros urbanos.

“No espaço CPLP mal nos conhecemos. Sabemos da existência, mas desconhecemos as realidades uns dos outros. Precisamos fazer circular os filmes entre os nossos países para que os povos se conheçam. E isso só será possível com políticas de financiamento sólidas e funcionais”, destacou. 

No que se refere à realidade cabo-verdiana, o presidente da fundação considerou que o cinema nacional tem evoluído “paulatinamente”, com melhorias na qualidade das produções, apesar das grandes limitações financeiras. 

“É preciso deixar claro que o que temos tido são apoios, não financiamentos. Apoiar com 500 ou 600 mil escudos um filme que precisa de 10 mil contos não é financiamento. É necessário criar um verdadeiro fundo nacional de apoio ao cinema”, advertiu, lembrando ainda um caso em que foram disponibilizados 21 mil contos para um filme estrangeiro, sem retorno visível para o país. 

Para Júlio Silvão, o Governo deve assumir um papel mais estratégico no financiamento e valorização do sector, implementando, de forma eficaz, a Lei do Cinema, em vigor desde 2019, e promover a produção, exibição e distribuição de filmes nacionais. 

“Precisamos de olhar para o cinema como uma ferramenta de desenvolvimento cultural, social e até económico. É fundamental garantir condições para que os realizadores cabo-verdianos possam criar com dignidade e levar as suas obras às comunidades”, concluiu.

A Semana com Inforpress

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