A população da ilha Brava voltou a manifestar descontentamento face à falta de transporte marítimo regular, situação provocada pela avaria do navio Liberdadi, que continua indisponível para operar na linha Santiago/Fogo/Brava.
"Estamos presos na Brava sem saber quando vamos conseguir viajar. O Dona Tututa está a fazer a rota Praia/Fogo, mas a Brava ficou fora. É uma situação muito constrangedora e a ilha merece mais respeito", lamentou.
Apesar de a CV Interilhas ter colocado o navio Dona Tututa em operação para assegurar algumas ligações, o programa definido pela empresa não contempla escalas na ilha Brava, deixando dezenas de passageiros retidos e sem uma previsão imediata para viajar.
Em declarações à Inforpress, Kátia Barros afirmou que deveria ter viajado para a cidade da Praia na passada segunda-feira, depois de ter adquirido o bilhete e recebido a respectiva ordem de embarque na sexta-feira anterior.
Segundo explicou, a viagem não se concretizou devido a avaria do navio Liberdadi e, até ao momento, continua sem informações concretas sobre quando poderá deixar a ilha.
"Estamos presos na Brava sem saber quando vamos conseguir viajar. O Dona Tututa está a fazer a rota Praia/Fogo, mas a Brava ficou fora. É uma situação muito constrangedora e a ilha merece mais respeito", lamentou.
Barros acrescentou que tinha uma entrevista de trabalho agendada na cidade da Praia, oportunidade que perdeu devido à interrupção das ligações marítimas.
Na sua perspetiva, o problema dos transportes marítimos na Brava arrasta-se há vários anos e continua sem uma solução definitiva, agravando-se numa altura em que muitas pessoas pretendem viajar devido às férias escolares.
"Viajar para a ilha Brava é sempre uma incerteza, porque nunca sabemos quando vamos conseguir sair da ilha", afirmou.
Segundo a mesma fonte, também o comerciante José Baptista manifestou preocupação com os impactos da situação na atividade económica local.
Segundo disse, o seu estabelecimento comercial já começou a enfrentar ruturas de produtos, sobretudo congelados, água e outros bens essenciais, uma vez que o navio Praia d'Aguada não reúne condições para transportar mercadorias congeladas devido ao tempo de viagem.
José Baptista defendeu a criação de alternativas para evitar que a ilha continue dependente de um único navio.
"Temos trabalhadores para pagar e compromissos para cumprir. Sem mercadorias e sem vendas, torna-se difícil manter os negócios", sublinhou, acrescentando que os passageiros continuam igualmente prejudicados, já que o navio Praia d'Aguada transporta um número limitado de pessoas.
O comerciante apelou às autoridades para encontrarem uma solução definitiva para os problemas dos transportes marítimos para ilha.
Contactada pela Inforpress, a CV Interilhas esclareceu que o navio Liberdadi encontra-se em reparação nos estaleiros navais da Cabnave, em São Vicente, estando a conclusão dos trabalhos prevista para sexta-feira, 24, seguindo-se testes de navegação.
Caso tudo decorra conforme previsto, a embarcação deverá retomar as operações no sábado, 25, restabelecendo as ligações entre Santiago, Fogo e Brava.
Enquanto isso, a empresa informou que colocou o navio Dona Tututa em operação para garantir as ligações ao Maio e ao Fogo e está a preparar um plano para repor gradualmente todas as viagens, reconhecendo que as ligações à Brava só deverão ser retomadas a partir de 25 de Julho.






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