terça-feira, 28 julho 2026

Entre corridas e despesas: A luta diária dos taxistas que mantêm a Praia em movimento

Antes do nascer do sol, taxistas e condutores informais (Clan) já estão nas estradas da Praia em busca de passageiros e, entre custos elevados, longas jornadas e incertezas diárias, estes profissionais lutam para garantir o sustento familiar.

 

Para estes profissionais, cada corrida representa mais do que uma deslocação de passageiros. É uma forma de garantir o sustento familiar num sector onde as despesas aumentam e os desafios tornam-se cada vez maiores.

A Inforpress acompanhou a rotina de três condutores que diariamente enfrentam as estradas da Praia, entre a pressão dos custos operacionais, a insegurança e a necessidade de continuar a trabalhar.

Às 06:00 da manhã, Jorge Andrade já está junto à sua viatura numa das zonas movimentadas da cidade. Antes de iniciar o serviço, verifica os pneus, limpa o interior do carro e certifica-se de que tudo está preparado para mais uma jornada.

Taxista há mais de 20 anos, acompanhou as mudanças no sector e garante que actualmente é necessário trabalhar mais horas para conseguir o mesmo rendimento.

“Hoje temos mais despesas. O combustível está caro, as peças aumentaram de preço e a manutenção do carro pesa muito. Muitas vezes precisamos prolongar o horário de trabalho para compensar”, afirmou.

Durante o dia, percorre diferentes zonas da capital, transportando trabalhadores, estudantes, idosos e visitantes, mas explica que a profissão é marcada pela imprevisibilidade.

“Há dias bons e dias difíceis. Não temos um valor fixo garantido no final do dia, porque dependemos das corridas que aparecem”, contou.

Para Jorge, além das dificuldades financeiras, o sector precisa de maior acompanhamento e diálogo entre os profissionais e as entidades responsáveis.

A profissão também tem atraído pessoas de outras ilhas que procuram na capital novas oportunidades. É o caso de Carlito, natural da ilha do Fogo, que há um ano e meio trabalha como taxista na cidade da Praia.

A mudança surgiu da necessidade de procurar melhores condições de vida, mas a experiência na capital trouxe também momentos de medo. 

Com apenas dois meses a viver na Praia, Carlito foi vítima de um sequestro, durante o qual sofreu agressões físicas e psicológicas por parte dos assaltantes. 

O episódio durou cerca de cinco horas e, naquele momento, chegou a acreditar que não sairia vivo da situação.

“É perigoso ser taxista na Praia. Neste um ano e meio já fui assaltado e sequestrado. Depois disso fiquei com receio, porque nunca sabemos quem entra no nosso carro ou o que pode acontecer durante uma corrida”, relatou à Inforpress.

Apesar do trauma, afirma que continuar a trabalhar é uma necessidade.

“Tenho medo, mas não tenho outra alternativa. Preciso trabalhar para garantir o meu sustento e da minha família”, afirmou.

Depois do episódio, passou a adoptar mais cuidados durante o serviço, estando mais atento aos passageiros, aos locais solicitados e aos horários das corridas.

Enquanto os táxis licenciados integram o sistema formal de transporte individual, outros condutores encontram no transporte informal, “clan”, uma alternativa de sobrevivência.

Dany, nome fictício, tem 29 anos e há quatro anos trabalha como condutor informal. A decisão surgiu depois de dificuldades em encontrar um emprego estável.

“Foi uma oportunidade que encontrei para conseguir algum rendimento. Não é fácil, porque não temos salário garantido”, explicou.

Segundo o jovem, cada dia representa uma nova incerteza.

“Há dias em que conseguimos fazer algum dinheiro e outros em que quase não compensa, porque também temos combustível, manutenção e outras despesas”, afirmou.

Entre os principais desafios apontados pelos profissionais estão os custos operacionais, sobretudo combustível, peças, revisões mecânicas e outras despesas associadas à manutenção das viaturas.

De acordo com os valores definidos pela Agência Reguladora Multissectorial da Economia (ARME), em Julho de 2026 o preço máximo da gasolina foi fixado em 162 escudos por litro, enquanto o gasóleo normal passou para 139,90 escudos por litro, aumentando a pressão sobre quem depende diariamente da estrada.

Apesar destes avanços, os trabalhadores continuam a apontar desafios como o aumento das despesas, a concorrência do transporte informal e a segurança durante o exercício da profissão.

Para muitos moradores da capital, o táxi continua a ser uma peça fundamental na mobilidade diária.

Ana Teixeira, passageira habitual, utiliza o serviço para se deslocar ao trabalho e reconhece a importância destes profissionais.

“É um transporte importante porque permite chegar mais rápido aos destinos. Mas também esperamos qualidade, segurança e preços acessíveis”, afirmou.

Quando a cidade começa a abrandar e muitas pessoas já regressaram a casa, vários taxistas continuam nas ruas à procura da última corrida do dia.

Entre despesas, riscos e incertezas, seguem ao volante de uma profissão que mantém a Praia em movimento e revela histórias de trabalhadores que todos os dias enfrentam a estrada em busca de melhores dias.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

Soares
17 dias atrás

Pobresa , palavra que precisa sair nosso dicionário.

Miranda
21 dias atrás

Boa sorte

Terra
11 dias atrás

Mesmo verdade roupa sujo tem que ser lavado dentro da casa para os que não sabe o que fala,

Pub-Reportagem

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