quinta-feira, 11 junho 2026

Legislativas: Inteligência Artificial desafia código deontológico no mundo inteiro – alerta Matilde Dias

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A jornalista e formadora falava em declarações à Inforpress a propósito de uma formação promovida pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), destinada a jornalistas dos órgãos de comunicação social, com o objectivo de reforçar a cobertura ética, informada e imparcial dos processos eleitorais.

Segundo a mesma fonte, o código deontológico assume um papel central na actividade jornalística, funcionando como um “credo” que orienta a conduta profissional.

“Ele rege a nossa conduta profissional e também tem mecanismos de protecção, como a objecção de consciência. Não podemos ser obrigados a fazer um trabalho que vá contra o código deontológico, nem contra as nossas crenças e convicções”, indicou, destacando ainda o dever de protecção das fontes como um dos princípios fundamentais da profissão.

Segundo Matilde Dias, o código abrange tudo o que está consagrado na Constituição da República, na lei do sector da comunicação social e nos princípios éticos universais, orientando a prática profissional desta classe.

A profissão, apontou, está igualmente a ser desafiada pelas “fake news” (informações falsas) e pela velocidade de transformação das plataformas, tendo, por outro lado, a responsabilidade de reforçar a “fact-checking” (verificação de factos) neste contexto de desinformação.

Relativamente à formação, Matilde Dias explicou que o encontro constitui um espaço privilegiado de partilha entre profissionais de diferentes ilhas, sendo uma oportunidade única de reunir jornalistas de vários órgãos, não só para adquirir conhecimentos, mas também para partilhar experiências e reconectar.

“Essa formação da CNE é habitualmente para refrescar os conceitos de cobertura de eleições, que antecede o período oficial da campanha. Tem momentos em que são abordados os códigos deontológicos e a ética do jornalista, e outros a cargo de juristas da CNE, onde são abordadas as leis da comunicação social e o código eleitoral”, avançou.

Considerou ainda que este tipo de formação tem um papel histórico no jornalismo cabo-verdiano, lembrando que encontros semelhantes estiveram na base da adopção, em 2010, de um código de conduta para a cobertura eleitoral e contribuíram para a actualização do código deontológico criado em 1991.

“É também um momento para revisitar a história e homenagear as gerações dos anos 80 e 90”, defendeu, acrescentando que o código deontológico dos jornalistas foi um dos primeiros na história do país e que a AJOC, enquanto associação sindical, foi também uma das primeiras a surgir, embora o movimento tenha começado durante o período de partido único.

Sobre o actual contexto da profissão, defendeu que os jornalistas devem confiar na sua formação, na ética e nos mecanismos de auto-regulação, sublinhando que “ninguém deve sentir-se intimidado”, mesmo perante situações de exposição pública ou processos judiciais.

Ainda referente aos processos enfrentados por colegas de profissão, segundo a jornalista, felizmente vive-se um momento em que tudo é feito às claras, amplamente noticiado, com posicionamentos da AJOC, manifestações e cobertura mediática, pelo que “as coisas estão a sair para fora”.

Para além dos jornalistas, magistrados e da Polícia Nacional, a CNE vai, nos próximos dias, promover formação para delegados do país e da diáspora, membros das assembleias de voto e administradores eleitorais.

 

A Semana com Inforpress

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