Thursday, 11 June 2026

A ATUALIDADE

Director da Unesco para a África Ocidental destaca Crioulidade Atlântica como património vivo da humanidade

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O director do Escritório Regional da Unesco para a África Ocidental realçou esta quinta-feira a importância da Crioulidade Atlântica enquanto património vivo da humanidade, considerando-a um espaço de mediação, horizonte contemporâneo para construção de futuros “mais humanos e inclusivos.

Dimitri Sanga fez estas declarações ao intervir como painelista no encontro internacional “Crioulidade e suas especificidades: Kriolidadi pa mi”, realizado no âmbito do Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica, que decorre de hoje até 30 de Maio, na Universidade de Cabo Verde, na Praia, organizada pela Presidência da República.

Na sua intervenção, aquele responsável da Unesco sublinhou que a cultura continua a ser um “instrumento essencial” para a promoção da paz, da inclusão e da construção de sociedades mais abertas e solidárias.

Segundo afirmou, num contexto mundial marcado pelo recrudescimento das intolerâncias e dos conflitos identitários, a Crioulidade Atlântica demonstra que as sociedades podem produzir espaços comuns, diálogo intercivilizacional, memória partilhada e solidariedade.

“A Crioulidade Atlântica não é apenas uma questão de história, memória e cultura, mas também a demonstração da capacidade dos povos de transformar uma das maiores tragédias da humanidade em formas de resistência, criação e humanidade”, afirmou.

Dimitri Sanga recordou ainda que a Crioulidade Atlântica nasceu das experiências ligadas à escravatura, ao exílio, às circulações forçadas e às violências coloniais, mas representa igualmente a extraordinária capacidade humana de transformar sofrimento em criação cultural e reencontro entre povos.

Para a mesma fonte, as sociedades crioulas constituem uma das expressões “mais fortes” da capacidade humana de converter a violência histórica em espaços de criatividade, diálogo e construção colectiva.

O dirigente destacou igualmente algumas iniciativas da Unesco destinadas à valorização das múltiplas identidades e heranças culturais africanas e afro-diaspóricas.

Nesse sentido, considerou que este encontro que decorre na cidade da Praia é um espaço estratégico para aprofundar reflexões sobre o reconhecimento dos patrimónios materiais e imateriais ligados às sociedades crioulas, a valorização dos sítios de memória e dos itinerários culturais atlânticos, bem como o reforço do diálogo entre África, Caraíbas, América Latina e diásporas.

Defendeu também a necessidade de transmitir esta história às gerações mais jovens, através da educação e da cultura, enquanto instrumentos de paz, justiça e cooperação internacional.

Dimitri Sanga salientou, por outro lado, a posição singular de Cabo Verde neste debate, descrevendo o arquipélago como “um espaço de circulação, mestiçagem e criação cultural”

A Semana com Inforpress

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