domingo, 14 junho 2026

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Hospitais e escolas paralisados, voos cancelados: o estado de Portugal em dia de greve geral

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No turno da noite, vericou-se uma paralisação quase total em várias unidades hospitalares do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Muitas escolas encontram-se encerradas e voos foram cancelados.

O secretário-geral da CGTP-IN (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional), Tiago Olivera, disse aos jornalistas, esta manhã, que "os números apontam para uma grande greve".

 

A greve geral provocou uma paralisação quase total no turno da noite nas unidades hospitalares do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

 De acordo com a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS), a adesão dos trabalhadores do SNS à greve da última noite situou-se entre 95% e 100%. Tal revela uma forte oposição ao pacote laboral.

O impacto da paralisação fez-se sentir em várias unidades de saúde por todo o país. O Hospital de São Francisco Xavier, que integra a Unidade Local de Saúde (ULS) Lisboa Ocidental, e o Hospital de São José, que integra a ULS Lisboa Oriental, registaram uma adesão de 100% à greve. No Hospital Santa Maria, da ULS Lisboa Ocidental, a adesão à greve foi de 90%, enquanto no Hospital de Vila Franca de Xira, da ULS Estuário do Tejo, foi de 71%.

No Porto, verificou-se uma adesão total à greve no Hospital da ULS Viseu Dão Lafões e no Hospital de São João. Já o Instituto Português de Oncologia do Porto registou uma adesão de 90%.

Segundo a SIC Notícias, as consultas externas no Hospital de Portalegre não estão a decorrer, mas estão a ser assegurados os serviços mínimos.

Esta é a primeira vez que trabalhadores do SNS24 aderem a uma greve geral, o que significa que poderá ser mais difícil falar com um profissional de saúde através desta linha telefónica, durante o dia de hoje. Os tempos de espera podem mesmo chegar às três horas. A paralisação ocorre numa altura em que linha SNS 24 enfrenta elevados níveis de pressão operacional.

Escolas encerradas no dia da prova de Português do 6.º ano

Várias escolas encontram-se também encerradas por todo o país, o que está a afetar a realização da prova de português do 6.º ano, marcada para esta quarta-feira.

Em declarações à SIC Notícias, o secretário-geral da FENPROF, José Feliciano da Costa, indicou que se estava a registar uma "adesão significativa" à greve em Sintra, Olivais, Fundão, Coimbra, Moita, Castelo Branco e Mafra. Deste modo, José Feliciano da Costa afirma que a decisão do ministro da Educação de não adiar a prova reflete o facto de "as provas não interessarem" e de "poderem ser feitas noutro dia qualquer".

Quase 190 voos cancelados, metro parado e ligações fluviais suprimidas

Relativamente aos voos internacionais, até então, foram cancelados quase 190 voos nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro.

No site da ANA - Aeroportos de Portugal é possível verificar que pelos menos 43 voos foram cancelados nas chegadas do aeroporto de Lisboa, enquanto 46 foram cancelados nas partidas. No aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, verifica-se o cancelamento de 29 voos de chegada e de 27 voos de partida. Já em Faro, observam-se 21 chegadas e 23 partidas canceladas.

Também o Metro de Lisboa está parado, uma vez que não tem serviços mínimos. Já no Metro do Porto, que tem quatro linhas sem serviço - Verde, Vermelha, Violenta e Laranja, apenas está a funcionar a linha azul e Amarela.

O Transporte Fluvial do Tejo (Transtejo), que liga as duas margens do rio, tem várias ligações suprimidas. A CP - Comboio de Portugal, por sua vez, prevê perturbações na circulação de comboios.

Mais de duas dezenas de empresas por todo o país também se encontram com a atividade suspensa.

O Código do Trabalho estabelece que, em situação de greve, devem ser garantidos serviços mínimos em empresas ou estabelecimentos que prestem serviços essenciais à satisfação de necessidades sociais inadiáveis. Entre estes estão os serviços postais e de telecomunicações, os cuidados médicos, hospitalares e farmacêuticos, a higiene e saúde pública — incluindo os funerais —, bem como os serviços de energia e minas, nomeadamente o fornecimento de combustíveis.

 "Números apontam para uma grande greve"

O secretário-geral da CGTP-IN (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional), Tiago Olivera, disse aos jornalistas, esta manhã, que "os números apontam para uma grande greve".

"O objetivo é denunciar o pacote laboral, é a retirada do pacote laboral", referiu Tiago Olivera em frente à escola básica Nuno Gonçalves, em Lisboa, que se encontra encerrada devido à greve geral.

"Durante dez meses, os trabalhadores mostraram que não querem o pacote laboral e o primeiro-ministro (Luís Montenegro) mostrou arrogância e falta de respeito pelos trabalhadores", acrescentou.

Esta paralisação resulta de um protesto contra a proposta de alteração à legislação laboral, também conhecida como "Trabalho XXI", promovida pelo Governo PSD/CDS-PP e que inclui mais de 100 mudanças no Código do Trabalho. O conjunto de medidas foi discutido em sede de Concertação Social, mas o executivo liderado por Luís Montenegro não conseguiu alcançar um acordo com os parceiros sociais, o que levou a CGTP-IN a avançar com o pré-aviso da greve já anteriormente anunciada.

A Semana com Euronews

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