domingo, 14 junho 2026

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Denúncias: PAICV acusa Governo cessante de acelerar gastos e "ocupar o Estado" no fim do mandato

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O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) acusou hoje o Governo cessante de estar a usar últimos momentos antes da transição do poder, para ocupar o Estado e acelerar gastos públicos, criando dificuldades para a próxima gestão.

“O Governo cessante está a usar os últimos momentos do seu ciclo de poder para ocupar o Estado, acelerar gastos públicos e criar dificuldades para a próxima gestão”, declarou.Como exemplo apontou o concurso público lançado pela EDEC, três dias após as eleições, para aquisição de 30 novas viaturas, defendendo que a empresa deveria aguardar pela tomada de posse do novo Governo para definir prioridades.

 

Estas declarações foram feitas em conferência de imprensa proferida pelo secretário-Geral do partido, Vladmir Silves Ferreira, que denunciou o que configura, conforme o PAICV, uma tentativa de favorecimento político, através de empresas públicas como a EDEC, os Correios de Cabo Verde e a Estradas de Cabo Verde.

Segundo o dirigente, após as eleições legislativas de 17 de Maio, nas quais os cabo-verdianos escolheram o PAICV e Francisco Carvalho para governar o país, o seu partido deparou com um conjunto de situações "extremamente graves" que estão a acontecer na governação do país.

“O Governo cessante está a usar os últimos momentos do seu ciclo de poder para ocupar o Estado, acelerar gastos públicos e criar dificuldades para a próxima gestão”, declarou.

Como exemplo apontou o concurso público lançado pela EDEC, três dias após as eleições, para aquisição de 30 novas viaturas, defendendo que a empresa deveria aguardar pela tomada de posse do novo Governo para definir prioridades.

“A EDEC enfrenta problemas graves de fornecimento de energia em várias ilhas, sobretudo na cidade da Praia. Perguntamos se a prioridade neste momento não deveria ser a aquisição de novos geradores para garantir a normalidade do fornecimento energético”, frisou.

O secretário-geral do PAICV indicou ainda denúncias dos próprios trabalhadores dos Correios de Cabo Verde e da Estradas de Cabo Verde relacionadas com alegadas aceleração de processos de reclassificação e entrada no quadro de funcionários com vínculos recentes e precários ligados ao poder cessante.

“Não se trata apenas da legalidade. Há também uma dimensão ética e moral que deve orientar a atuação do Governo cessante e dos gestores públicos neste período de transição”, defendeu.

O PAICV apelou, neste sentido, à Comissão Nacional de Eleições (CNE) para acelerar o processo de publicação dos resultados e proclamação oficial do vencedor, para que se possa pôr cobro a estes actos “ilegais e imorais” com a maior brevidade possível.

O dirigente apelou igualmente aos cidadãos e funcionários públicos para denunciarem eventuais irregularidades durante o período de transição.

Segundo afirmou, o Governo cessante já deveria estar em modo de gestão corrente, sem legitimidade política nem moral para tomar decisões estruturantes que comprometam o futuro do país, advertindo que o PAICV não ficará em silêncio perante qualquer tentativa de ocupação do Estado neste período do “apagar das luzes” do Governo cessante.

A Semana com Inforpress

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