domingo, 14 junho 2026

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Candidato a ONU relativiza tradição de rotação geográfica para liderança

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O ex-presidente senegalês e candidato a secretário-geral da ONU, Macky Sall, relativizou a tradição de rotação geográfica como fator para a escolha do próximo líder das Nações Unidas, defendendo o perfil dos candidatos como critério predominante.

Macky Sall foi o último candidato à liderança da ONU a participar numa série de diálogos interativos com Estados-membros e organizações da sociedade civil. No final de uma audição de três horas, em que respondeu a várias perguntas sobre a candidatura à liderança da ONU, Sall concedeu ainda uma conferência de imprensa, em Nova Iorque, na qual foi questionado sobre o que faria para parar a guerra entre os Estados Unidos e o Irão caso fosse secretário-geral. O antigo chefe de Estado afirmou que, em primeiro lugar, apoiaria fortemente a mediação do conflito pelo Paquistão e encorajaria os Estados Unidos, particularmente o Presidente norte-americano, Donald Trump, a manter o atual cessar-fogo.
 
Em consonância com uma tradição de rotação geográfica, nem sempre observada, a posição de secretário-geral da ONU está a ser reivindicada pela América Latina. Já se passaram 35 anos desde que um latino-americano liderou a ONU. A região argumenta que ignorar agora a tradição quebraria o pacto informal e não escrito que mantém o equilíbrio geográfico da ONU.

Contudo, Macky Sall, o único candidato que não integra a região da América Latina, desvalorizou na quarta-feira esse fator. “Em primeiro lugar, em lado algum da Carta da ONU verá a rotação regional mencionada. Não está na carta. Era uma ambição, e eu saúdo esse objetivo de inclusão, mas se considerarmos as Nações Unidas desde o início, a ONU teve 16 mandatos de secretário-geral: desses 16, sete foram para a Europa Ocidental, quatro para a Ásia-Pacífico, três para África, dois para a América Latina e zero para a Europa de Leste. Estes são os factos”, respondeu Sall.

“Isso significa que é uma ambição. (…) Portanto, não estou aqui apenas como alguém que está a interferir [no princípio de rotação] vindo do Sul Global depois de um secretário-geral vindo do Norte”, acrescentou. O ex-presidente defendeu o seu direito de concorrer ao cargo mais alto da ONU e considerou que “o importante para os Estados-membros é encontrar o melhor perfil para conduzir a organização neste momento específico”.

Muitas nações africanas argumentam que, como o atual secretário-geral, o português António Guterres, (Europa Ocidental) representou uma “interrupção” na rotação em 2016 (informalmente, era a vez da Europa de Leste), o ciclo está efetivamente quebrado e alegam que o fardo da manutenção da paz de África confere ao continente o direito de liderar.

Macky Sall foi o último candidato à liderança da ONU a participar numa série de diálogos interativos com Estados-membros e organizações da sociedade civil. No final de uma audição de três horas, em que respondeu a várias perguntas sobre a candidatura à liderança da ONU, Sall concedeu ainda uma conferência de imprensa, em Nova Iorque, na qual foi questionado sobre o que faria para parar a guerra entre os Estados Unidos e o Irão caso fosse secretário-geral. O antigo chefe de Estado afirmou que, em primeiro lugar, apoiaria fortemente a mediação do conflito pelo Paquistão e encorajaria os Estados Unidos, particularmente o Presidente norte-americano, Donald Trump, a manter o atual cessar-fogo.

Instaria ainda ambas as partes a darem uma oportunidade ao diálogo em prol “de um acordo definitivo para a estabilidade desta região”. “Não precisamos de mais bombas, não precisamos de mísseis, precisamos de paz. E penso que temos de apoiar esta iniciativa do Paquistão e pedir a todas as partes que continuem a trabalhar em estreita colaboração por um acordo de paz”, afirmou.

No início de março, Macky Sall entrou na corrida para secretário-geral após uma nomeação do Burundi, sendo potencialmente a candidatura mais polémica em competição. A candidatura não foi apresentada pelo Senegal, uma vez que Macky Sall é acusado pelos novos dirigentes do seu país de ter ocultado dados económicos importantes, como a dívida pública.

A União Africana recusou apoiar a candidatura de Sall, depois de ter sido rejeitada por 20 dos 55 Estados-membros da organização. Sall, 64 anos, que governou o Senegal de 2012 a 2024, é visto pelos apoiantes como um candidato capaz de conduzir negociações multilaterais em nome do continente, mas os detratores criticam o seu regime pela dura repressão aos protestos da oposição.

A falta de apoio consensual em África poderá enfraquecer a influência do continente no processo de seleção da ONU, onde o apoio regional é importante. Confrontado com o facto de nunca um candidato ter sido eleito secretário-geral da ONU sem o apoio do seu próprio país, Sall menorizou a ausência de suporte do Senegal. “Idealmente, esta nomeação deveria vir do meu próprio país, mas isso não significa que não possa ser candidato. E não sou supersticioso”, declarou.

Sall disputa o cargo com a ex-Presidente chilena Michelle Bachelet, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, o argentino Rafael Grossi, e a ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan. A próxima pessoa a chefiar o Secretariado das Nações Unidas iniciará o mandato de cinco anos em 1 de janeiro de 2027, sucedendo ao antigo primeiro-ministro português António Guterres.

A Semana com Observador/Lusa

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