O jurista e constitucionalista cabo-verdiano Wladimir Brito faleceu hoje, dia 8, em Portugal, após doença prolongada, segundo informações avançadas à imprensa portuguesa e cabo-verdiana por fontes próximas da família. Brito Faleceu na cidade de Guimarães, no norte de Portugal, e tinha 77 anos de idade.
Até ao momento do fecho desta peça, desconhecia-se oficialmente detalhes sobre as cerimónias fúnebres. Vamos acompanhar as reações à morte de Wladimir Augusto Correia Brito, principalmente por parte das autoridades e individualidades cabo-verdianas.
Considerado o pai da Constitiuição da República de Cabo Verde, eleaborada em 1992 após as primeiras eleições multipartidárias de 1991, a notícia da morte de Brito caiu que nem uma bomba junto dos cabo-verdiaanos, principalmente na cidade da Praia onde tem muitos colegas, amigos e amigas e no Mindelo onde foi criado.
Em Portugal, a Câmara Municipal de Guimarães manifestou pesar pelo falecimento de Wladimir Brito. "Guimarães despede-se, assim, de um homem de pensamento livre, de elevada cultura jurídica e de profunda intervenção cívica, cujo legado ultrapassa fronteiras e permanecerá ligado à defesa da dignidade humana, da liberdade e da justiça. A memória de Wladimir Brito perdurará como exemplo de independência intelectual, coragem democrática e serviço ao bem comum", lê-se na nota de pesar.
Natural da Guiné-Bissau e criado em Mindelo, Cabo Verde, Wladimir Augusto Correia Brito construiu, segundo a mesma fonte, um percurso singular de compromisso com a liberdade, a democracia e o Estado de direito. Participou na resistência à ditadura e, enquanto militar, na Revolução de Abril de 1974, opôs-se depois aos regimes de partido único na Guiné e em Cabo Verde e viria a assumir um papel determinante como redator principal da Constituição de Cabo Verde de 1992, contributo maior para a consolidação democrática daquele país.
O documento destaca que, no plano académico, fez a licenciatura, o mestrado e o doutoramento em Direito na Universidade de Coimbra e foi, mais tarde, professor catedrático da Escola de Direito da Universidade do Minho, instituição onde exerceu relevantes funções de direção e coordenação académica, incluindo a vice-presidência da Escola, a direção da licenciatura em Direito, do mestrado em Direitos Humanos e do mestrado em Direito Judiciário, entre outras responsabilidades. O seu percurso distinguiu-se ainda pela investigação, pela produção científica, pela edição jurídica e por uma longa atividade de advocacia.
Ao longo da sua vida pública, Wladimir Brito foi ainda diretor e cofundador do Observatório Lusófono de Direitos Humanos, membro da lista de Conciliadores das Nações Unidas por designação do Governo português, diretor da revista Scientia Ivridica e destinatário de várias distinções, entre as quais o Estatuto de Combatente da Liberdade da Pátria e a Primeira Classe da Medalha de Mérito atribuída pela República de Cabo Verde. Foi igualmente uma voz respeitada de cidadania e democracia e participou durante muitos anos na vida ativa da cidade de Guimarães.
Até ao momento do fecho desta peça, desconhecia-se oficialmente detalhes sobre as cerimónias fúnebres. Vamos acompanhar as reações à morte de Wladimir Augusto Correia Brito, principalmente por parte das autoridades e individualidades cabo-verdianas.







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