Estão contabilizadas 23 colónias de garça-vermelha, distribuídas por vários pontos, incluindo São Domingos, Rui Vaz, Boa Entrada, Chão da Horta, a Barragem de Poilão e o Tarrafal e algumas têm hoje menos pássaros que em anos anteriores.
Segundo a mesma fonte, o acesso às colónias faz-se por caminhos inclinados e, por vezes, escorregadios, entre vegetação dispersa e áreas expostas ao sol intenso.
Com o clima seco e a ausência de chuva a marcar a paisagem, os técnicos utilizam equipamento básico de proteção, como botas e roupa de manga comprida, para se deslocarem entre arbustos e árvores, onde ramos e espinhos dificultam a progressão.
"Estamos a fazer o seguimento das colónias. Já temos alguns ninhos monitorizados desde o ano passado. Recomeçámos a temporada e vamos anilhar crias e pássaros juvenis, recolher dados biométricos e amostras de sangue para estudos genéticos", detalha.
"Também colocamos câmaras de vigilância e GPS [sistema de posicionamento global] em adultos para acompanhar o comportamento e as zonas de alimentação", acrescenta.
A espécie privilegia zonas mais arborizadas e húmidas, no interior da ilha, contrastando com outras garças que habitam sobretudo nas áreas costeiras.
Estão contabilizadas 23 colónias de garça-vermelha, distribuídas por vários pontos, incluindo São Domingos, Rui Vaz, Boa Entrada, Chão da Horta, a Barragem de Poilão e o Tarrafal e algumas têm hoje menos pássaros que em anos anteriores.
A falta de informação consistente sobre a espécie dificulta a avaliação precisa do estado da população, algo que a Lantuna quer resolver.
Entre as principais ameaças, estão predadores introduzidos no 'habitat', como gatos, a instalação de reservatórios de água abertos, onde as aves podem cair e morrer, e ainda a captura de garças-vermelhas e respetivos ovos por pessoas, seja para consumo ou por motivos recreativos.
"São ameaças difíceis de controlar", admite Samir citada pela fonte deste jornal.jornal.
Outro desafio prende-se com a falta de meios para aceder a todas as colónias.
"Há árvores muito altas às quais não conseguimos escalar e zonas muito inclinadas" a que é impossível aceder, explica.
Nesses casos, a equipa recorre a binóculos, telescópios e, nalguns pontos, a ‘drones’ para estimar o número de indivíduos.
"Nas colónias acessíveis fazemos monitorização direta, mas nas restantes fazemos apenas contagens à distância", acrescenta.
A ausência de dados robustos e as ameaças acumuladas levantam preocupações sobre o futuro da espécie, num contexto em que outras aves do arquipélago também têm desaparecido, como a fragata, que deixou de nidificar na ilha da Boa Vista, ou espécies como a cagarra e o rabo-de-junco.
Nadito Barbosa, técnico da Lantuna que integra a equipa desde 2023, reconhece, prossegue a nossa fonte, que o trabalho de conservação "não é fácil" e pode, por vezes, ser perigoso.
"Mas quando há gosto pelo que se faz, as dificuldades tornam-se menores", afirma, acrescentando que a sua capacidade de acesso a ninhos mais complexos o leva frequentemente a apoiar outros elementos da equipa em tarefas mais exigentes.
"Este tipo de trabalho exige cada vez mais conhecimento e novas ferramentas. É uma área fascinante, que vai além do trabalho em si", refere, apontando que o setor precisa de mais pessoas envolvidas na investigação e na conservação.
Para o futuro, a expetativa passa por um maior envolvimento da sociedade na proteção da espécie, bem como por uma maior valorização do conhecimento sobre a biodiversidade local.
Há já "sinais de crescente interesse", nomeadamente por parte de guias turísticos que começam a identificar espécies e a acompanhar visitantes interessados em observação de aves.
A zona de São Domingos é considerada um dos "pontos cruciais e de mais fácil acesso" onde é possível observar a garça-vermelha, conclui a fonte deste jornal.







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