domingo, 14 junho 2026

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Vaticano autoriza transplantes de órgãos animais para católicos em novas orientações

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Novas diretrizes da Igreja Católica definem os critérios médicos e éticos para transplantes de órgãos de animais para seres humanos.

“A teologia católica não prevê proibições, de carácter religioso ou ritual, ao uso de qualquer animal como fonte de órgãos, tecidos ou células para transplante em seres humanos”, lê-se no documento.

A Igreja Católica não coloca objeções à utilização de animais como fonte de órgãos, tecidos ou células para transplantes em seres humanos e defende que se apliquem os mesmos padrões de bioética que regem todas as intervenções médicas.

À medida que os procedimentos médicos que envolvem animais avançam e se tornam mais comuns, o Vaticano apresentou na terça-feira, 24 de março, um novo documento da Pontifícia Academia para a Vida que define as considerações médicas e éticas relacionadas com estas práticas.

“A teologia católica não prevê proibições, de carácter religioso ou ritual, ao uso de qualquer animal como fonte de órgãos, tecidos ou células para transplante em seres humanos”, lê-se no documento.

O Vaticano acrescentou que as questões éticas ligadas à xenotransplantação, isto é, ao transplante de órgãos, tecidos ou células de uma espécie para outra, não podem ser respondidas sem uma reflexão sobre a pessoa humana e sobre os animais que fornecem o material para o transplante.

As orientações, elaboradas com o contributo de peritos da Áustria, Itália, Países Baixos e Estados Unidos, surgem na sequência do desenvolvimento da biotecnologia nas últimas décadas, que tem aproximado estas inovações da aplicação clínica.

Embora o transplante de órgãos seja cada vez mais utilizado como tratamento médico, o número de intervenções é limitado pela escassez de órgãos, tecidos e células de origem humana, assinalou o Vaticano.

Estudos indicam que o volume de transplantes de órgãos cobre apenas entre cinco e 10 por cento da procura mundial.

A xenotransplantação poderia oferecer um fornecimento ilimitado de órgãos, tecidos e células para transplante, atenuando a escassez “crónica” de dadores humanos, refere o documento.

Mas, ao recorrer a animais, o Vaticano sublinhou várias condições: os procedimentos só devem ser realizados quando necessários e razoáveis, devem evitar-se modificações genéticas suscetíveis de alterar a biodiversidade e é preciso impedir sofrimento animal desnecessário.

Os xenotransplantes devem minimizar qualquer possibilidade de o genoma do recetor ser alterado ou influenciado de forma intencional, acrescenta o texto.

“Por exemplo, é da maior importância recusar a xenotransplantação, do cérebro de animais para o cérebro de seres humanos, de células cerebrais associadas à cognição, se não for possível salvaguardar a identidade pessoal do doente”, escreveram os autores.

Já os tratamentos celulares no cérebro destinados a corrigir deficiências fisiológicas, como a doença de Parkinson, através da injeção de células da glândula suprarrenal de porco, dificilmente representarão esse tipo de risco e podem ser considerados eticamente admissíveis pela Igreja Católica.

A Semana com Euronews

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