domingo, 14 junho 2026

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Cabo Verde prevê lançar centro de verificação de factos até fim do mês

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A Autoridade Reguladora para a Comunicação Social (ARC) de Cabo Verde deverá colocar a funcionar, até final de março um centro de verificação de factos, o CV-Fact, disse  esta quarta-feira à Lusa o coordenador da iniciativa.

 O CV-Fact terá um portal na internet -- onde qualquer pessoa poderá suscitar dúvidas ou alertas de desinformação -- além de presença nas redes sociais.

 

"Estamos a preparar a equipa da melhor forma possível. Nós acreditamos que até final de março já vamos estar a trabalhar", referiu, segundo NM que ciata Lusa, Alfredo Pereira, membro do Conselho Regulador da ARC e coordenador do centro de verificação de factos.

Aquele responsável falava à margem da formação da equipa que decorre na capital, Praia, prestada pelo Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas (Cenjor), convidado pela ARC.

O centro ficará instalado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), que assegurará as infraestruturas físicas e tecnológicas, a coordenação editorial e operacional ficará a cargo da ARC, enquanto a Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) indicará jornalistas para funções de coordenação intermédia.

Os estudantes do quarto ano do curso de ciências da comunicação serão responsáveis por verificar notícias, monitorizando informação que circula nas redes sociais e nos órgãos de comunicação tradicionais.

Segundo a mesma fonte, o CV-Fact terá um portal na internet -- onde qualquer pessoa poderá suscitar dúvidas ou alertas de desinformação -- além de presença nas redes sociais.

Em janeiro, houve já uma formação com a equipa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) que apoia o projeto e disponibiliza uma plataforma (iVerify) que usada noutros centros de verificação de factos.

Agora, decorre uma formação de dois dias, que  terminou esta quarta-feira, "mais específica, sobre as ferramentas que a equipa pode utilizar, sobretudo de código aberto ('open source'), para verificação de textos, imagens ou arquivos", informou.

Luís Galrão, verificador de factos da Lusa, dirige a formação visando apresentar "uma vertente prática, o maior possível para as necessidades deste projeto, mas também suficientemente abrangente para que os futuros 'fact-checkers' tenham noção das várias áreas que vão ter de dominar".

Num mundo em que a desinformação cresce, faz sentido que Cabo Verde se junte à rede global de verificadores, disse.

Como exemplo, referiu que os projetos de verificação em Portugal já estão interligados com outros internacionais, "porque muita da desinformação é reutilizada de outros contextos, vizinhos ou regionais". 

O intercâmbio entre projetos "acaba por poupar recursos", salientou.

"Se já tiver sido verificado em Espanha um conteúdo 'desinformativo' que chega a Portugal, eu só terei de verificar se aquilo [a verificação] está bem feito", exemplificou.

"Faz todo o sentido" que surja o projeto de Cabo Verde, "até porque o trabalho de monitorização que já se desenvolveu, demonstrou essa necessidade".

O projeto CV-Fact, prossegue a fonte deste jornal, prevê iniciativas de educação da população em geral para os meios digitais, mostrando como questionar e identificar informações duvidosas e reforçando a capacidade crítica dos cidadãos perante a desinformação.

Alfredo Pereira referiu que o arranque do CV-Fact coincide com a aproximação das eleições legislativas em Cabo Verde (marcadas para 17 de maio), mas o projeto rejeita a ideia da desinformação "meramente como uma questão da área política".

"A desinformação está em todas as áreas da sociedade. Por exemplo, há vários casos a nível da saúde, no turismo, economia", entre outros temas.

Numa primeira análise, em dezembro, a ARC apontou para um aumento substancial da utilização da inteligência artificial para criar desinformação, com 'deepfakes' ligadas a investimentos financeiros ou narrativas manipuladas, incluindo notícias atribuídas a jornalistas que nunca escreveram as peças em causa.

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