A situação política na Guiné-Bissau e em Madagáscar marcou o arranque, esta quarta-feira, 11 de Fevereiro, do 48.º Conselho Executivo da União Africana (UA), que decorre em Addis Abeba. Na sessão de abertura, o presidente da Comissão, Mahamoud Ali Youssouf, alertou para a “regressão” verificada no continente em matéria de estabilidade política e segurança.
O conflito no Sudão é um dos maiores desafios da cimeira. Segue-se o reconhecimento da Somalilândia por Israel, a 26 de Dezembro de 2026, aumentando o risco de encorajar movimentos separatistas.A situação política na Guiné-Bissau, suspensa da União Africana na sequência da tomada do poder pelos militares, também deverá ser debatida. Esta cimeira fica ainda marcada pelo fim da suspensão da Guiné-Conacri e do Gabão, que podem assim regressar ao seio da organização.
Na sessão de abertura, o presidente da Comissão da União Africana, Mahamoud Ali Youssouf, alertou para a deterioração da situação política e de segurança em várias regiões africanas. No seu discurso, o responsável sublinhou que “houve regressão e o progresso é mínimo” no que diz respeito à estabilidade política e à resolução de conflitos.
“A segunda área de preocupação do nosso comité é a estabilidade política e as crises de segurança, bem como os conflitos no continente. Houve regressão e o progresso é mínimo. A mediação e os bons ofícios demoram a produzir os resultados esperados. O Conselho de Paz e Segurança é reactivo”, afirmou.
Apesar de reconhecer o “trabalho útil” desenvolvido pelos mediadores e pelo departamento da Comissão responsável por estas matérias, Mahamoud Ali Youssouf, admitiu que os avanços continuam limitados, sobretudo no combate às mudanças inconstitucionais de Governo.
“Não fizemos muito progresso com relação às mudanças inconstitucionais de governo”, frisou, congratulando-se, contudo, com o regresso da Guiné-Conacri e do Gabão à União Africana, após processos de transição apoiados pela Comissão.
O presidente da Comissão manifestou ainda preocupação com os acontecimentos recentes em Madagáscar e na Guiné-Bissau, países que passaram por mudanças inconstitucionais de governo em 2025. “A Comissão está a envidar esforços para apoiar estes dois países nos respectivos processos de transição”, acrescentou.
Outro ponto central do discurso foi o agravamento da ameaça terrorista. “O terrorismo no Sahel e no Corno de África é uma questão de grande preocupação. A ameaça terrorista não está a diminuir”, advertiu.
Arrancou esta quarta-feira, 11 de Fevereiro, em Addis Abeba, o 48.º Conselho Executivo da União Africana (UA), reunião que junta os ministros dos Negócios Estrangeiros dos Estados-membros para preparar a próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo, agendada para 14 e 15 de Fevereiro.
A próxima cimeira marca o fim da presidência angolana da União Africana e o início do mandato do Burundi. Évariste Ndayishimiye vai herdar do seu antecessor, João Lourenço, pastas como o conflito entre a República Democrática do Congo e o Ruanda. É a primeira vez que o pequeno país dos Grandes Lagos assume a liderança da União Africana.
O conflito no Sudão é um dos maiores desafios da cimeira. Segue-se o reconhecimento da Somalilândia por Israel, a 26 de Dezembro de 2026, aumentando o risco de encorajar movimentos separatistas.
A situação política na Guiné-Bissau, suspensa da União Africana na sequência da tomada do poder pelos militares, também deverá ser debatida. Esta cimeira fica ainda marcada pelo fim da suspensão da Guiné-Conacri e do Gabão, que podem assim regressar ao seio da organização.
Além disso, haverá tempo para o balanço do primeiro ano de mandato de Mahamoud Ali Youssouf à frente da Comissão da União Africana.
A cimeira dos chefes de Estado ficará ainda marcada pela presença da presidente do Conselho de Ministros de Itália. Giorgia Meloni deverá discursar na sessão de abertura. A líder italiana desloca-se a Addis Abeba para reforçar o Plano Mattei, destinado a fomentar o investimento em África, lançado em Janeiro de 2024. Nesse sentido, no dia 13 de Fevereiro, sexta-feira, decorre na capital etíope a segunda Cimeira Itália–África.
A Semana com RFI







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