domingo, 14 junho 2026

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Operação dos transportes marítimos de Cabo Verde recuou em 2025, segundo administrador

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O resultado operacional de 2025 da CV Interilhas, concessionária do transporte marítimo de Cabo Verde, ficou “muito aquém de 2024”, disse esta segunda-feira em entrevista à Lusa o administrador Fernando Braz de Oliveira.

 
A CV Interilhas ficou “aquém dos 500.000 passageiros que, normalmente, é a ambição” para os resultados anuais, quedando-se pelos 435.000.Fernando Braz de Oliveira sintetiza o ano como “muito difícil, com muitas adversidades técnicas e meteorológicas”, naquilo que classificou como “tempestade perfeita” que prejudicou toda a navegação no arquipélago — apontando como exemplo o afundamento do cargueiro privado Nho Padre Benjamin e outros acidentes.
 
“O ano de 2024 foi extraordinário, com uma taxa de disponibilização de navios na ordem dos 98%”, enquanto 2025 registou “uma conjuntura muito adversa às operações”, referiu.

As dificuldades foram causadas “pelas condições meteorológicas” e por “dois problemas muito graves, no Kriola e no Liberdadi”, os dois catamarãs da frota de quatro navios, um dos quais bateu num cais, enquanto o outro encalhou, ficando vários meses fora de serviço.

“Mesmo assim, conseguimos cumprir [as obrigações de serviço público] e apresentar resultados que estão dentro dos parâmetros de cumprimento do contrato”, assinalou, apontando para 3.200 viagens em todo o arquipélago, ao longo do ano.

A CV Interilhas ficou “aquém dos 500.000 passageiros que, normalmente, é a ambição” para os resultados anuais, quedando-se pelos 435.000.

Fernando Braz de Oliveira sintetiza o ano como “muito difícil, com muitas adversidades técnicas e meteorológicas”, naquilo que classificou como “tempestade perfeita” que prejudicou toda a navegação no arquipélago — apontando como exemplo o afundamento do cargueiro privado Nho Padre Benjamin e outros acidentes.

Confrontado com diversas críticas que apontam para uma frota inadequada, o administrador da CV Interilhas responde que “a frota é aquela que está contratualizada”.

“Temos relatórios e uma relação diária com o concedente [Estado] para que ele possa acompanhar o desenrolar das operações”, sendo “extremamente criterioso, como tem de ser”, descreveu, puxando pelas certificações de que todos os navios dispõem.

“Somos escrutinados ao detalhe” e entre os quatro navios “não há nenhum que não cumpra as regras de segurança e de certificação”, acrescentou, referindo que a intenção é investir na frota.

Em agosto, a CV Interilhas anunciou um investimento de 19 milhões de euros na compra de navios, após uma “decisão arbitral favorável” que reconheceu incumprimentos do Estado no contrato de concessão.

No entanto, o Governo cabo-verdiano recorreu e aguarda-se a decisão do Supremo Tribunal de Justiça.

Outros objetivos para 2026 consistem na rentabilização do navio que costuma ficar de prevenção às operações, apostar no agenciamento marítimo e também na logística, através dos armazéns na área de frio — algo que Braz de Oliveira acredita poder levar “o pequeno e médio empresário a olhar para o seu negócio de uma forma completamente diferente”.

A CV Interilhas é uma sociedade constituída em 2019 com a qual o Governo de Cabo Verde estabeleceu um contrato de concessão, por 20 anos, para o serviço público de transporte marítimo de passageiros e carga entre ilhas com quatro navios.

A firma é liderada pelo grupo português ETE que detém 51% do capital social (através das suas participadas Transinsular e Transinsular Cabo Verde), cabendo o restante a 11 firmas cabo-verdianas.

Em Cabo Verde, o Grupo ETE conta com uma área de aproximadamente 4.000 metros quadrados de armazenagem coberta, incluindo áreas de temperatura controlada, estando presente nas principais Ilhas.

Detido exclusivamente por capitais portugueses, o grupo ETE tem operações próprias em nove países, emprega mais de 1.330 colaboradores e gera um volume de negócios anual superior a 325 milhões de euros.

 

A Semana com Observador/Lusa

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