O dirigente Mariano Quadé, da campanha de Fernando Dias da Costa à presidência da Guiné-Bissau, organizou neste sábado uma manifestação em Lisboa para reclamar o retorno à normalidade constitucional e a libertação do líder do PAIGC, detido desde o golpe de 26 de Novembro de 2025. Em declarações à Agência Lusa, o dirigente apelou à mobilização da Diáspora, a uma resposta contundente de Portugal e preconizou uma intervenção militar da CEDEAO na Guiné-Bissau para garantir o regresso da democracia.
"Uma intervenção militar é a via que resta à CEDEAO, senão cai complemente no descrédito; numa situação de golpe de Estado e defendendo tolerância zero para qualquer país [golpista], a CEDEAO só tem um caminho, que é recorrer à força para devolver o poder ao povo", considerou ainda o dirigente da campanha de Fernando Dias da Costa, para quem "neste momento, o povo não sabe qual é o seu destino e depende muito da capacidade de a CEDEAO cumprir o que foi a sua determinação" na cimeira de chefes de Estado realizada a 14 de Dezembro.
"A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) é a autoridade para dirimir conflitos, pode ter uma atitude enérgica de fazer cumprir as suas decisões, com uma acção concreta no terreno, se possível colocando forças para garantir o retorno à normalidade constitucional", disse o dirigente no início de um protesto que juntou algumas dezenas de pessoas ontem em Lisboa contra o golpe de 26 de Novembro de 2025 na Guiné-Bissau.
"Uma intervenção militar é a via que resta à CEDEAO, senão cai complemente no descrédito; numa situação de golpe de Estado e defendendo tolerância zero para qualquer país [golpista], a CEDEAO só tem um caminho, que é recorrer à força para devolver o poder ao povo", considerou ainda o dirigente da campanha de Fernando Dias da Costa, para quem "neste momento, o povo não sabe qual é o seu destino e depende muito da capacidade de a CEDEAO cumprir o que foi a sua determinação" na cimeira de chefes de Estado realizada a 14 de Dezembro.
"Não se compreende esta situação e o tempo que a CEDEAO está a demorar para garantir o retorno à normalidade constitucional", apontou o dirigente para quem, por outro lado, a Diáspora tem que actuar. "O país está numa situação de grande gravidade, as pessoas que estão lá sofrem mais do que as que estão aqui, e a diáspora tem de se mobilizar, porque no nosso país ninguém pode sair à rua, ninguém pode falar, o país está suspenso".
Após saudar a intervenção pública a favor da reposição da normalidade constitucional na Guiné-Bissau por parte de numerosas personalidades, nomeadamente da eurodeputada socialista Marta Temido ou de Paulo Rangel, chefe da diplomacia de Portugal, Mariano Quadé saúda a iniciativa de se agendar uma discussão sobre a situação seu país na semana que vem no Parlamento Europeu.
Recorde-se três dias depois das presidenciais de 23 de Novembro de 2025, quando faltava apenas um dia para a CNE divulgar os resultados definitivos do escrutínio cuja vitória era reclamada pela oposição, um grupo denominado Alto Comando Militar tomou o poder a 26 de Novembro de 2025 alegando que "havia um perigo iminente de uma guerra civil no país” e que existia uma “divisão na sociedade, em todos os grupos étnicos e nas famílias por causa das eleições".
A 26 de Novembro, o Alto Comando Militar ordenou a detenção de responsáveis políticos de oposição que, após várias semanas de cativeiro foram soltos no começo deste ano, com excepção de Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, principal adversário do Presidente deposto Sissoco Embaló acusado por certos sectores de estar por detrás desta desestabilização no intuito de impedir o anúncio dos resultados eleitorais.
Com efeito, segundo os vários partidos de oposição, nomeadamente o PAIGC e o PRS, que apoiavam a candidatura presidencial de Fernando Dias da Costa, foi este último quem venceu as eleições. O candidato que escapou por pouco a uma detenção no dia do golpe, acabou por encontrar refúgio na embaixada da Nigéria em Bissau.
Apesar de a Guiné-Bissau ter sido suspensa da União Africana, da CEDEAO e da CPLP e apesar também de estas e outras entidades reclamarem um rápido regresso à normalidade constitucional, a publicação dos resultados eleitorais e a libertação de todos os presos políticos, a junta militar no poder determinou um período de um ano para a transição no país, tendo entretanto adoptado nos últimos dias uma nova Constituição qualificada de "ilegal" pela oposição, e tendo igualmente marcado eleições para o final deste ano.
A Semana com RFI/Lusa







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