A marcação de eleições presidenciais e legislativas na Guiné-Bissau para o final deste ano, anunciada pelos militares, continua a levantar dúvidas quanto às condições para se realizarem. A Comissão Nacional de Eleições admite não existirem ainda garantias técnicas e de segurança. Perante o agravamento da crise, o Presidente de Cabo Verde reagiu com um apelo humanitário, sublinhando que “o humanismo não tem fronteiras” e defendendo o respeito pelos direitos humanos, sem intenções de interferência política.
O Presidente de Cabo Verde reagiu à crise política na Guiné-Bissau com um apelo de carácter exclusivamente humanitário, afastando qualquer intenção de ingerência. “O humanismo não tem fronteiras e o meu apelo é um apelo humanitário. Todos nós, em todo o mundo, devemos ser sensíveis aos direitos humanos. Não se trata de interferir num Estado soberano, que é a Guiné-Bissau, mas de um apelo humanista para que os direitos humanos sejam respeitados”, afirmou.
A Guiné-Bissau agendou eleições presidenciais e legislativas para o dia 6 de Dezembro de 2026, na sequência da tomada de poder à força pelos militares no final do ano passado, que interrompeu um processo eleitoral, marcado por uma forte contestação. A data foi fixada por decreto presidencial, numa tentativa de apresentar um calendário de transição política.
Os militares tomaram o poder na véspera da divulgação dos resultados eleitorais, quando elementos das Forças Armadas intervieram e derrubaram o então Presidente em funções, Umaro Sissoco Embaló. O auto-denominado Alto Comando Militar instalou, no dia seguinte, o major-general Horta Inta-a como presidente interino, concentrando o poder político e militar.
Apesar de missões internacionais terem considerado que a votação decorreu de forma ordeira, a Comissão Nacional de Eleições afirmou não ter sido possível concluir o apuramento dos resultados. Segundo o órgão eleitoral, homens armados apreenderam boletins de voto e destruíram servidores informáticos onde estavam armazenados dados essenciais, comprometendo irremediavelmente o processo.
A instabilidade política motivou reacções de várias organizações regionais e internacionais. No espaço lusófono, foi recomendada a suspensão temporária da Guiné-Bissau, enquanto na África Ocidental multiplicaram-se apelos à reposição da ordem constitucional e ao respeito pela vontade popular expressa nas urnas.
A instabilidade guineense surge num contexto regional marcado por sucessivos golpes de Estado. Desde 2020, o Mali viveu dois golpes militares, seguido da Guiné-Conacri em 2021. Em 2022, o Burkina Faso registou duas mudanças de poder pela via militar, reflectindo a crescente fragilidade institucional na África Ocidental. Mais recentemente, em 2023, o Níger juntou-se à lista, enquanto na África Central o Chade permanece sob liderança militar desde 2021.
A Semana com RFI







Comentário
E pensar que houve torturas àqueles que se opunham à unidade Guiné/ Caboi Verde..Mundo dá voltas !!!!!
Ouvi o Presidente João Lourenço a pedir a libertação de Simões Pereira. Quero ver agora se o porta voz guineense vai mandar despir a capa ao Presidente Joao Lourenço para poder servir de advogado a Simões Pereira.
Não irá tugir, nem mugir.
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