A eventual anexação da Gronelândia é um dos grandes temas em cima da mesa em Davos. Hoje é aguardado com expectativa o discurso de Donald Trump, que chegará à Suíça com três horas de atraso devido a problema com avião.
Apesar de sondagens apontarem que muitos habitantes da Groenlândia rejeitam fazer parte dos EUA, Donald Trump diz que isso é uma questão de tempo, defendendo que mudarão de posição assim que conversar com as autoridades locais."Ainda não falei com eles, mas tenho certeza que, quando o fizer, ficarão encantados. Vou para Davos, e temos muitas reuniões agendadas sobre a Groenlândia. Acredito que as coisas vão correr muito bem", disse Trump.
O Presidente norte-americano vai chegar ao Fórum Económico Mundial de Davos com "cerca de três horas de atraso" devido a um problema com o primeiro avião que deveria levá-lo para a Suíça, anunciou o secretário do Tesouro, Scott Bessent.
O avião presidencial dos Estados Unidos, Air Force 1, apresentou um "pequeno problema elétrico" ao iniciar a viagem para o Fórum Económico Mundial de Davos e teve de regressar à base em Washington.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, revelou que a decisão de regressar foi tomada após a descolagem, quando a tripulação a bordo do Air Force One identificou "um pequeno problema elétrico" e, por precaução, decidiu voltar para trás, anunciou a Associated Press.
Planos de Trump para Gronelândia mantêm-se
Mas antes de seguir viagem para Davos, o Presidente dos Estados Unidos voltou a manifestar o desejo de anexar a ilha semiautónoma dinamarquesa.
Apesar de sondagens apontarem que muitos habitantes da Groenlândia rejeitam fazer parte dos EUA, Donald Trump diz que isso é uma questão de tempo, defendendo que mudarão de posição assim que conversar com as autoridades locais.
"Ainda não falei com eles, mas tenho certeza que, quando o fizer, ficarão encantados. Vou para Davos, e temos muitas reuniões agendadas sobre a Groenlândia. Acredito que as coisas vão correr muito bem", disse Trump.
Em conferência de imprensa, na Casa Branca, o Presidente americano mostrou-se irredutível quanto ao plano de punir com tarifas oito países europeus que enviaram tropas à Gronelândia, e desvalorizou as ameaças de retaliação da União Europeia.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu hoje trabalhar num pacote de apoio à segurança no Ártico com "forte aumento do investimento europeu na Gronelândia", face ao que classificou como "poder bruto" dos Estados Unidos.
"A Europa prefere o diálogo e as soluções, mas está plenamente preparada para agir, se necessário, com unidade, urgência e determinação. Mas, para além disso, precisamos da nossa própria abordagem estratégica e é por isso que estamos a trabalhar num pacote de apoio à segurança no Ártico", com "um forte aumento do investimento europeu na Gronelândia, em particular para apoiar ainda mais a economia local e as infraestruturas", disse num debate no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
Isso passa, desde logo, por "duplicar o apoio financeiro" da UE, no âmbito do próximo orçamento comunitário, acrescentou Von der Leyen, defendendo porém que o bloco europeu tem de "fazer mais e fazê-lo mais rapidamente".
UE tem carta na manga
Um dos trunfos do bloco comunitário é o acordo comercial rubricado com os EUA entre junho e agosto do ano passado que ameaça suspender. Mas Donald Trump não parece estar muito preocupado com isso.
A União Europeia (UE) tem mais uma carta na manga, segundo disse ontem o Presidente francês, Emmanuel Macron: "A Europa tem ferramentas muito poderosas e devemos utilizá-las quando não somos respeitados e quando as regras do jogo não são respeitadas. Podemos ser colocados numa posição em que teremos de usar o instrumento anticoerção contra os Estados Unidos, chamado bazuca comercial. Isto é uma loucura. É o resultado da imprevisibilidade e da agressão inútil”.
O chamado instrumento anticoerção é um mecanismo aprovado em 2023 para proteger a UE de pressões económicas de países terceiros. Inicialmente pensado tendo em vista a China, aquele instrumento nunca foi utilizado até ao momento e permite restringir as atividades de empresas norte-americanas na UE.
Críticas à ONU
Na quinta-feira (22.01), Trump presidirá à cerimónia de fundação do Conselho da Paz, uma organização que, segundo disse, destina-se a pôr fim aos conflitos internacionais, acusando a ONU de nunca o ter ajudado a resolver qualquer guerra. "Gostava que a ONU pudesse fazer mais. Gostava que não precisássemos de um Conselho da Paz, mas, com todas as guerras que resolvi, a ONU nunca me ajudou em nenhuma delas", afirmou.
Apesar das críticas, Trump afirmou que quer "deixar que a ONU continue a existir porque o seu potencial é demasiado grande". Inicialmente concebido para supervisionar a implementação do cessar-fogo na Faixa de Gaza, Trump quer "expandir os seus poderes e competir com o Conselho de Segurança da ONU".
No entanto, as Nações Unidas já reagiram dizendo que não têm problema de cohabitar com outros organismos. "Veremos, em termos de detalhes, como o Conselho de Paz se tornará quando for efetivamente estabelecido, para saber que tipo de relação teríamos com ele", disse Farhan Haq, porta-voz adjunto do Secretário-Geral da ONU.
Segundo meios de comunicação social norte-americanos, os países que desejem um lugar permanente no Conselho da Paz deverão contribuir com cerca de mil milhões de dólares (850 milhões de euros), embora o líder norte-americano seja o único com poder de veto.
Dezenas de líderes internacionais foram convidados a integrar o Conselho da Paz, mas o Presidente francês recusou, o que levou Trump a ameaçar impor tarifas sobre vinhos e champanhes do seu país. Ontem, na sala de imprensa da Casa Branca, o Presidente dos EUA declinou uma proposta para uma reunião em Paris do G7, o grupo das setes maiores economias mundiais. "Não, não faria isso. Porque, sabem, o Emmanuel não vai ficar lá muito tempo. É meu amigo. É bom tipo. Gosto do Macron, mas não vai ficar lá muito tempo, como sabem", observou Trump.
A Semana com DW







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