domingo, 14 junho 2026

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CEDEAO exige libertação de presos políticos na Guiné-Bissau

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Missão da Comunidade dos Estados da África Ocidental pediu cumprimento das deliberações da última cimeira e alertou para consequências caso não haja libertação dos presos e formação de governo inclusivo na Guiné-Bissau.

 

Entre os principais pontos consta a exigência da libertação de todos os presos políticos na Guiné-Bissau. Antes de deixar o país, a missão da CEDEAO visitou Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), na prisão e o candidato presidencial Fernando Dias, que se encontra refugiado na Embaixada da Nigéria, em Bissau.

 

Uma missão de alto nível da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) esteve em Bissau no fim-de-semana e manteve uma reunião com as atuais autoridades de transição da Guiné-Bissau.

O encontro prolongou-se por mais de cinco horas e chegou a ser interrompido para uma breve concertação interna, que durou mais de meia hora. A discussão entre as partes foi .

Após a visita, aguarda-se agora a divulgação do comunicado oficial, que deverá reafirmar e exigir o cumprimento das deliberações aprovadas na última cimeira dos chefes de Estado e de Governo da organização, realizada em dezembro de 2025.

Entre os principais pontos consta a exigência da libertação de todos os presos políticos na Guiné-Bissau. Antes de deixar o país, a missão da CEDEAO visitou Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), na prisão e o candidato presidencial Fernando Dias, que se encontra refugiado na Embaixada da Nigéria, em Bissau.

Em declarações à DW, o sociólogo Tamilton Teixeira deixa um alerta: "A missão poderia ser mais categórica desta vez, em pontos muito claros: Não negociamos isto, exigimos isto e quais serão as consequências, ponto final. A CEDEAO tem mecanismos de coerção e estão claros nos documentos que assistem a própria organização. Não se sabe o que poderá acontecer depois. A Guiné-Bissau é muito imprevisível e a CEDEAO não deixará de ter culpa se a situação descambar".

Discussões "construtivas"

A delegação de alto nível da CEDEAO foi liderada pelo Presidente em exercício da organização, o chefe de Estado da Serra Leoa, Julius Maada Bio, que se fez acompanhar pelo Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye. Integraram ainda a missão o presidente da Comissão da CEDEAO, Omar Aliou Touray, e o presidente do Conselho de Ministros da organização, Aladji Moussa Kaba.

Pelo lado guineense, participaram no encontro o líder da transição, Horta Inta-a, atual chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, Tomas Djassi, o primeiro-ministro de Transição, Ilídio Vieira Té, e o ministro dos Negócios Estrangeiros de Transição, João Bernardo Vieira, entre outras figuras do Alto Comando Militar.

Numa publicação feita na noite de domingo na sua página oficial do Facebook, Julius Maada Bio afirmou que as discussões foram "construtivas" e reiterou o apelo a uma transição curta, bem como à formação de um governo inclusivo que reflita o espectro político e a diversidade da sociedade guineense.

O sociólogo guineense Tamilton Teixeira considera que a CEDEAO pecou pela demora e disse que uma decisão firme da organização face à situação na Guiné-Bissau poderia servir de exemplo para evitar futuras situações de género na sub-região.

"Poderiam apenas por vias de comunicados e canais diplomáticos passar a mensagem curta e clara: Nós não vamos negociar com as autoridades que não se sustentam na legalidade. Portanto a CEDEAO tinha todos os elementos para atuar com mais eficácia e não o fez e criou tempo numa relação muito cordial com as autoridades militares", disse à DW.

Visitas a Simões Pereira e Fernando Dias

No final da reunião de sábado (10.01), nenhuma das partes prestou declarações aos jornalistas. Mas após a reunião, a missão da CEDEAO deslocou-se ao Ministério do Interior, onde se encontra detido o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira. A delegação visitou igualmente o candidato presidencial Fernando Dias, que reivindica vitória nas eleições presidenciais de novembro passado e que se encontra refugiado na Embaixada da Nigéria, em Bissau.

À DW, um dos advogados de defesa de Simões Pereira, Roberto Indeque, afirmou que desconhecem do teor da conversa entre Simões Pereira e a delegação da CEDEAO, até porque "continuam sem acesso" ao líder do PAIGC, avançou.

Indeque e os colegas visitaram, no domingo (11.01), Otávio Lopes, dirigente do PAIGC que estava detido juntamente com Domingos Simões Pereira. O advogado disse que este os informou que o líder do PAIGC "está fisicamente e mentalmente bem. Não há nada de anormal que esteja a passar com ele. Nunca sofreram nenhuma tortura, nem física e nem psicológica".

Simões Pereira encontra-se detido há mais de 40 dias, sem uma acusação formal. Os seus familiares lançaram um apelo à CEDEAO pedindo uma intervenção urgente para pôr fim a detenção do maior líder da oposição guineense.

 

A Semana com DW África

 

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