segunda-feira, 15 junho 2026

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Polémica/Guiné-Bissau: PS quer ouvir Rangel no Parlamento português sobre alegado voo de estado a familiares e próximo do depsoto PR Sissoco

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O PS pediu esta terça-feira a audição parlamentar urgente do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, sobre a classificação como voo de Estado da viagem do chefe de protocolo e da esposa do ex-presidente da Guiné-Bissau.

 

há 4 horasO PS pediu hoje a audição parlamentar urgente do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, sobre a classificação como voo de Estado da viagem do chefe de protocolo e da esposa do ex-presidente da Guiné-Bissau.

Em declarações à agência Lusa, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, disse ser importante perceber quem é que deu autorização para classificar essa viagem - na qual foram apreendidos cinco milhões de euros em numerário - como voo de Estado, "quando o Presidente Sissoco já não era presidente, estava deposto e, aliás, fora da Guiné-Bissau".

"Há um conjunto de informação sobre a natureza do voo, quem é que deu autorização ao voo, que informação tinha quando deu autorização ao voo, que nos parece particularmente importante", afirmou.

No requerimento, assinado pelo secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, e por todos os deputados do partido na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros, refere-se que a figura de "voo de Estado corresponde, em termos de direito internacional e prática diplomática, a deslocações oficiais de chefes de Estado, chefes de Governo ou outras altas entidades em funções".

O partido salienta que "a atribuição desse estatuto implica prerrogativas excecionais, designadamente em matéria de protocolo, segurança, autorizações de sobrevoo e aterragem, devendo obedecer a critérios claros, transparentes e rigorosos".

"No caso em apreço, estão em causa passageiros associados a um chefe de Estado deposto na sequência de um golpe de Estado, não reconhecido por parte da comunidade internacional, o que torna extremamente relevante o esclarecimento sobre os fundamentos políticos, diplomáticos e jurídicos que presidiram às decisões tomadas", lê-se.

À Lusa, Brilhante Dias salientou que estes esclarecimentos são particularmente importantes numa altura em que tem "vindo a ser comentado", não só em Portugal como noutros locais, que o golpe de Estado realizado em 26 de novembro foi um "auto golpe perpetrado para, mais tarde, o senhor presidente Embaló regressar à Guiné-Bissau".

 

Buscar esclarecimentos

Assim, prosseguiu, ter "informação detalhada sobre a natureza deste voo" também pode ajudar a "perceber quem é que, de facto, está a controlar a governação na Guiné-Bissau, quem está no poder e, em particular, se o Governo português colaborou ou tem vindo a colaborar com este conjunto de militares que hoje, aparentemente, controla a Guiné-Bissau".

"A natureza deste voo, e as condições em que este voo foi operado, talvez nos ajudem a esclarecer, ou a ficar mais próximos do esclarecimento, sobre a situação de facto na Guiné-Bissau", afirmou.

Questionado sobre como é que o PS avalia a posição do Governo português perante este caso, Brilhante Dias respondeu que, em assuntos de Estado, o PS "é particularmente cauteloso", mas disse que é importante salientar que, na Guiné-Bissau, "o processo eleitoral foi interrompido" e "há um conjunto de dirigentes políticos presos", entre os quais o presidente da Assembleia Nacional e líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira.

"Aquilo que nós esperamos - e temos registado alguma evolução da posição do Governo português - é que o Estado português, no quadro da CPLP e da comunidade internacional, esteja ao lado da regularidade democrática", afirmou.

Em causa está um voo realizado em 14 de dezembro, no qual viajaram a mulher de Umaro Sissoco Embaló e o seu chefe de protocolo, e no qual foram apreendidos cerca de cinco milhões de euros em numerário.

À Lusa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros disse hoje que "a qualificação como voo de Estado deveu-se ao facto de a pessoa em causa ser cônjuge de um chefe de Estado (e o cônjuge ter direito a tratamento protocolar ao mesmo nível do chefe de Estado)".

A Semana com DW África /Lusa

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