segunda-feira, 15 junho 2026

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REPORTAGEM: Escolas de São Vicente expostas à insegurança, infraestruturas degradadas e falta de vigilância

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Várias escolas de São Vicente enfrentam um quadro crescente de insegurança, marcado pela ausência de guardas e contínuos, furtos recorrentes e pela degradação das infraestruturas, quadro agravado pela proximidade a zonas sensíveis como a cadeia civil da Ribeirinha.

 

O sentimento de insegurança é igualmente partilhado por pais, como Fattú Djakité, mãe de duas crianças na Escola Padre Cristiano Rodrigues, em Chã de Alecrim.Fattú Djakité lembra que só no início do ano lectivo ocorreram três roubos na unidade, incluindo de alimentos da cantina.

 Este panorama foi constatado pela Inforpress, que percorreu escolas em diversos bairros da ilha.

A começar pela Escola de Pedra Rolada, onde a responsável Patrícia Silva confirmou que a principal preocupação é a segurança num estabelecimento cujo portão foi destruído pelas enxurradas provocadas pela tempestade Erin, a 11 de Agosto.

À situação somam-se problemas antigos, como uma vedação “completamente degradada”.

“Sem a vedação não temos segurança. Temos casos de adolescentes que saltam o muro, entram para andar de bicicleta, jogam bola e até proferem palavrões durante o horário escolar”, denunciou.

A mesma fonte alertou para riscos à integridade física de alunos, professores e funcionários.

Relatou ainda vários episódios de furto, o último em Setembro, que consistiu numa tentativa de arrombamento da cantina escolar.

“Como não conseguiram, vandalizaram a escola, arrombaram fechaduras e danificaram algumas salas”, disse, lembrando que já foram levados um televisor plasma e outros materiais em ocasiões anteriores.

A ausência de contínuos durante o dia e a irregularidade do guarda noturno aumentam a vulnerabilidade.

Patrícia Silva lamentou também a fraca colaboração da comunidade local, que “não cuida da própria escola”, considerou, referindo-se a reuniões com pais e encarregados não têm resultado em mudança de comportamento entre jovens que invadem o recinto, “inclusive para consumir bebidas alcoólicas”.

Situação semelhante vive-se na Escola de Chã de Marinha, onde, segundo o director do agrupamento, Flávio Neves, já ocorreram várias tentativas e consumação de furtos.

As vulnerabilidades repetem-se nas escolas “Luís Morais” e “Juvino Santos”, em Ribeirinha, que continuam sem vedação desde que os muros foram destruídos pela tempestade Erin.

Inclusive na Escola Juvino Santos, o director do agrupamento, Manuel Lopes, disse que tem sido alvo de intrusões para roubo de alimentos do horto escolar.

Pertencente ao mesmo agrupamento, a Escola João José dos Santos partilha paredes com a Cadeia Civil da Ribeirinha, uma localização que suscita alguma preocupação a Manuel Lopes, embora considere o cenário controlado, graças ao trabalho conjunto com a direcção do estabelecimento prisional.

O sentimento de insegurança é igualmente partilhado por pais, como Fattú Djakité, mãe de duas crianças na Escola Padre Cristiano Rodrigues, em Chã de Alecrim.

Fattú Djakité lembra que só no início do ano lectivo ocorreram três roubos na unidade, incluindo de alimentos da cantina.

Para piorar, a escola não tem vedação, fica próxima de uma estrada movimentada e enfrenta ainda problemas relacionados ao uso do polivalente adjacente para consumo de estupefacientes.

“A escola é um lugar pequeno e acolhedor, mas agora fico em casa à espera de um telefonema a dizer que aconteceu alguma coisa”, lamentou.

Confrontado com estas situações, o delegado da Educação em São Vicente, Jorge da Luz, garantiu que “as escolas da ilha, de um modo geral, são seguras”, embora reconheça dificuldades que estão a ser avaliadas e para as quais se procuram soluções.

O responsável afirmou que as obras previstas para Chã de Marinha foram adiadas devido aos estragos da tempestade Erin, “mas deverão arrancar brevemente”, dando início ao futuro complexo educativo já anunciado pelo Ministério da Educação.

Quanto às escolas de Pedra Rolada, Juvino Santos e Monte Sossego, avançou o trabalho com parceiros para a construção de novos muros de vedação.

Sobre a Escola Padre Cristiano Rodrigues, explicou que não é possível erguer muros devido à consolidação urbana da zona, e que a gestão do polivalente não é responsabilidade da Delegação.

Entretanto, Jorge da Luz apelou ao envolvimento da comunidade no reforço da segurança.

Relativamente à proximidade da cadeia da Ribeirinha, o delegado admitiu ser uma preocupação de longa data, desde a construção da prisão, mas reitreou a existência de “boa parceria” com a direcção do estabelecimento para assegurar vigilância na área.

Sobre a falta de guardas e contínuos, Jorge da Luz acrescentou ainda que decorre um “diálogo já bastante avançado” com os recursos humanos do sector para reforço do número de operacionais nas escolas, embora sem previsão de datas.

Por agora, entre muros caídos, furtos e falta de guardas, a segurança dos espaços escolares em São Vicente continua a ser uma questão urgente e por resolver.

 

A Semana com Inforpress

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